quinta-feira, 15 de outubro de 2015

O justo e o ímpio, um contraste profundo

Por: Rev. Hernandes Dias Lopes

Os homens perversos se alimentam da maldade e têm como propósito de vida derrubar aqueles que andam retamente. Sentem-se recompensados quando derrubam alguém que cruza seu caminho. Eis o que diz a Escritura: “Pois não dormem, se não fizerem o mal, e foge deles o sono, se não fizerem tropeçar alguém…” (Pv 4.16,17). Os perversos têm uma compulsão para o mal. Rolam no seu leito não para conciliar o sono, mas para maquinar o mal contra o próximo. Empregam sua inteligência e sua energia não para fazer o bem, mas para engendrar formas de oprimir as pessoas. Quando não conseguem levar a cabo sua intenção maligna, perdem o sono. O que lhes acalma a mente irrequieta é exatamente conceber os intentos perversos do coração. Tão logo concebem o mal, colocam-no em ação. As lágrimas dos outros são sua alegria. O fracasso dos outros, o seu triunfo. A seiva que lhes sustenta a vida é a violência. A motivação que lhes mantêm acordados é a destruição do próximo.

A Escritura contrasta o caminho dos maus com a vereda dos justos: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18). Naquele reina a violência e a negridão subterrânea dos maus intentos, neste habita a luz que esparrama seu brilho; como os raios do sol que surgem nas encostas dos montes. A vereda dos justos não é apenas um caminho iluminado, mas um caminho cuja luz vai crescendo como a luz do sol até ser dia perfeito. A vida do justo vai sendo aperfeiçoada de glória em glória. O brilho da face de Cristo resplandece nele. O fulgor da glória de Deus irradia nele. O justo é filho da luz e luz do mundo. Ele anda na luz, suas obras são feitas na luz e todo o seu corpo é iluminado. O justo não dá marcha à ré em seu testemunho. Não vive ziguezagueando perdendo sua força em avanços e recuos. O justo caminha para frente, faz uma escalada para as alturas. Sua vida não se estaciona na região nebulosa do comodismo. O justo cresce no conhecimento e na graça. Avança para o alvo. Busca as coisas lá do alto, onde Cristo vive. Contempla o galardão. Aspira as coisas mais excelentes. Sua história começa na conversão, avança no processo da santificação, mas seu alvo é a glorificação, o dia perfeito.

Se a vereda dos justos é um caminho cheio de luz, o caminho dos perversos é uma estrada mergulhada em densas trevas. “O caminho dos perversos é como a escuridão; nem sabem eles em que tropeçam” (Pv 4.19). A escuridão é ausência completa de luz. É lugar de cegueira. É território lôbrego de confusão. É cenário de medo e pavor. É estrada povoada por aqueles que não sabem aonde vão nem sabem em que tropeçam. Se a luz é símbolo de conhecimento, a escuridão é o emblema da ignorância. Se a luz é símbolo de pureza, a escuridão é a evidência de sujeira. Se a luz é símbolo da santidade, a escuridão é sinal de iniquidade. Se a luz é símbolo do amor, a escuridão é prova de ódio. O caminho dos perversos é como a escuridão: uma estrada marcada pela antivida. Uma vereda sulcada pelos buracos das desavenças. Uma senda onde as coisas mais vergonhosas se praticam sem qualquer pudor. Um trilho sinuoso que leva à morte. Os perversos caminham de solavanco em solavanco. Caem aqui, tropeçam acolá e nem sabem em que tropeçam. Longe de fazerem uma caminhada ascendente rumo à glória, fazem uma descida vertiginosa rumo ao abismo. Oh, caminho perigoso! Oh, caminhada inglória! Oh, triste destino! Só aqueles que amam a destruição continuam por esse caminho. Só aqueles que rejeitam a oferta da graça, preferem esse caminho. Só aqueles que se recusam a crer em Jesus, o novo e vivo caminho, permanecem nessa estrada de densas trevas.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

QUAL O FUTURO DA IGREJA EVANGÉLICA NO BRASIL?

Por: Augustus Nicodemus Lopes

Quando olho o atual cenário da igreja evangélica brasileira – estou usando o termo “evangélica” de maneira ampla – confesso que me sinto incapaz de prever o que vem pela frente. Há muitas e diferentes forças em operação em nosso meio hoje, boa parte delas conflitantes e opostas. Olho para frente e não consigo perceber um padrão, uma indicação que seja, do futuro da igreja.

Há, em primeiro lugar, o crescimento das seitas neopentecostais. Embora estatísticas recentes tenham apontado para uma queda na membresia de seitas como a Universal do Reino do Deus - que ressurge das cinzas com o "templo de Salomão" - , outras estão surgindo no lugar, como na lenda grega da Hidra de Lerna, monstro de sete cabeças que se regeneravam quando cortadas. A enorme quantidade de adeptos destes movimentos que pregam prosperidade, cura, libertação e solução imediata para os problemas pessoais acaba moldando a imagem pública dos evangélicos e a percepção que o restante do Brasil tem de nós. Na África do Sul conheci uma seita que mistura pontos da fé cristã com pontos das religiões africanas, um sincretismo que acaba por tornar irreconhecível qualquer traço de cristianismo restante. Temo que a continuar o crescimento das seitas neopentecostais e seus desvios cada vez maiores do cristianismo histórico, poderemos ter uma nova religião sincrética no Brasil, uma seita que mistura traços de cristianismo com elementos de religiões afro-brasileiras, teologia da prosperidade e batalha espiritual em pouquíssimo tempo.

Depois há o movimento “gospel”, que mostrou sua popularidade ao ter o festival “Promessas” veiculado pela emissora de maior audiência do país. Não me preocupa tanto o fato de que a Rede Globo exibiu o show, mas a mensagem que foi passada ali. A teologia gospel confunde “adoração” com pregação, exalta o louvor como o principal elemento do culto público, anuncia um evangelho que não chama pecadores e crentes ao arrependimento e mudança de vida, que promete vitórias mediante o louvor e a declaração de frases de efeito e que ignora boa parte do que a Bíblia ensina sobre humildade, modéstia, sobriedade e separação do mundo. Para muitos jovens, os shows gospel viraram a única forma de culto que conhecem, com pouca Bíblia e quase nenhum discipulado. O impacto negativo da superficialidade deste movimento se fará sentir nesta próxima geração, especialmente na incapacidade de impedir a entrada de falsos ensinamentos e doutrinas erradas.

Notemos ainda o crescimento do interesse pela fé reformada, não nas igrejas históricas, mas fora delas, no meio pentecostal. Não são poucos os pentecostais que têm descoberto a teologia reformada – particularmente as doutrinas da graça, os cinco slogans (“solas”) e os chamados cinco pontos do calvinismo. Boa parte destes tem tentado preservar algumas idéias e práticas características do pentecostalismo, como a contemporaneidade dos dons de línguas, profecia e milagres, além de uma escatologia dispensacionalista. Outros têm entendido – corretamente – que a teologia reformada inevitavelmente cobra pedágio também nestas áreas e já passaram para a reforma completa. Mas o tipo de movimento, igrejas ou denominações resultantes desta surpreendente integração ainda não é previsível.

O impacto das mídias sociais também não pode ser ignorado. E há também o número crescente de desigrejados, que aumenta na mesma proporção da apropriação das mídias sociais pelos evangélicos. Com a possibilidade de se ouvir sermões, fazer estudos e cursos de teologia online, além de bate-papo e discipulado pela internet, aumenta o número de pessoas que se dizem evangélicas mas que não se congregam em uma igreja local. São cristãos virtuais que “freqüentam” igrejas virtuais e têm comunhão virtual com pessoas que nunca realmente chegam a conhecer. Admito o benefício da tecnologia em favor do Reino. Eu mesmo sou professor a quinze anos de um curso de teologia online e sei a benção que pode ser. Mas, não há substituto para a igreja local, para a comunhão real com os santos, para a celebração da Ceia e do batismo, para a oração conjunta, para a leitura em uníssono das Escrituras e para a recitação em conjunto da oração do Pai Nosso, dos Dez Mandamentos. Isto não dá para fazer pela internet. Uma igreja virtual composta de desigrejados não será forte o suficiente em tempos de perseguição.

Eu poderia ainda mencionar a influência do liberalismo teológico, que tem aberto picadas nas igrejas históricas e pentecostais e a falta de maior rapidez e eficiência das igrejas históricas em retomar o crescimento numérico, aproveitando o momento extremamente oportuno no país. Afinal, o cristianismo tem experimentado um crescimento fenomenal no chamado Sul Global, do qual o Brasil faz parte.

Algumas coisas me ocorrem diante deste quadro, quando tento organizar minha cabeça e entender o que se passa.

1 – Historicamente, as igrejas cristãs em todos os lugares aqui neste mundo atravessaram períodos de grande confusão, aridez e decadência espiritual. Depois, ergueram-se e experimentaram períodos de grande efervescência e eficácia espiritual, chegando a mudar países. Pode ser que estejamos a caminho do fundo do poço, mas não perderemos a esperança. A promessa de Jesus quanto à Sua Igreja (Mateus 16:18) e a história dos avivamentos espirituais nos dão confiança.

2 – Apesar de toda a mistura de erro e verdade que testemunhamos na sincretização cada vez maior das igrejas, é inegável que Deus tem agido salvadoramente e não são poucos os que têm sido chamados das trevas para a luz, regenerados e justificados mediante a fé em Cristo Jesus, apesar das ênfases erradas, das distorções doutrinárias e da negligência das grandes doutrinas da graça. Ainda assim, parece que o Espírito Santo se compraz em usar o mínimo de verdade que encontra, mesmo em igrejas com pouca luz, na salvação dos eleitos. Não digo isto para justificar o erro. É apenas uma constatação da misericórdia de Deus e da nossa corrupção. Se a salvação fosse pela precisão doutrinária em todos os pontos da teologia cristã, nenhum de nós seria salvo.


3 – Deus sempre surpreende o Seu povo. É totalmente impossível antecipar as guinadas na história da Igreja. Muito menos, fazer com que aconteçam. Há fatores em operação que estão muito acima dos poderes humanos. Resta-nos ser fiéis à Palavra de Deus, pregar o Evangelho completo – expositivamente, de preferência – viver uma vida reta e santa, usar de todos os recursos lícitos para propagar o Reino e plantar igrejas bíblicas e orar para que nosso Deus seja misericordioso com os seus eleitos, com a Sua igreja, com aqueles que Ele predestinou antes da fundação do mundo e soberanamente chamou pela Sua graça, pela pregação do Evangelho.


O QUE É SALVAÇÃO PELA FÉ SOMENTE?

Por: Augustus Nicodemus Lopes



Procurei resumir abaixo o que entendo ser o ensino bíblico acerca deste assunto, que é o mais importante e urgente para nossas vidas, e sobre o qual existe tanta confusão até mesmo entre os evangélicos.

1. Todas as pessoas são carentes de salvação, pois todas elas, sem qualquer exceção, são pecadoras. Isto significa que elas, em maior ou menor grau, quebraram a lei de Deus e se tornaram culpadas diante dele. Esta lei está gravada na consciência de todos, disposta nas coisas criadas e reveladas claramente nas Escrituras - a Bíblia. Ninguém consegue viver consistentemente nem com seu próprio conceito de moralidade, quanto mais diante dos padrões de Deus. Como Criador, Deus tem o direito de legislar e determinar o que é certo e errado e de julgar a cada um de acordo com isto.

2. Ninguém é bom o suficiente diante de Deus para obter sua própria salvação ou de fazer boas obras que o qualifiquem para tal. O pecado de tal maneira afetou a natureza do ser humano que sua vontade é inclinada ao mal, seu entendimento é obscurecido quanto às coisas de Deus e sua fé não consegue se firmar em Deus somente. Sem ajuda externa - a qual só pode vir do próprio Deus - pessoa alguma pode obter ou receber a salvação da condenação e do castigo que seus próprios pecados merecem.

3. Deus enviou Seu Filho Jesus Cristo ao mundo para morrer por pecadores, de forma que eles pudessem obter esta salvação a qual, de outra forma, seria inalcançável. Jesus Cristo, por determinação e desígnio de Deus, morreu na cruz como sacrifício completo, perfeito, único, suficiente e eficaz pelos pecados. Ele ressuscitou física e literalmente de entre os mortos ao terceiro dia, vencendo a morte e o inferno, e subiu aos céus. Assim, somente em Jesus Cristo as pessoas podem encontrar a salvação da culpa e condenação de seus pecados. E fora dele, não há qualquer possibilidade de salvação, diante dos pontos 1 e 2 expostos acima.

4. As pessoas tomam conhecimento da pessoa e da obra de Cristo mediante o Evangelho, o qual é pregado ao mundo todo. Sem o conhecimento do Evangelho, é impossível para as pessoas se salvarem. Cristo é a luz do mundo, o caminho, a verdade e a vida, e ninguém pode ir ao Pai senão por ele. Este Evangelho está claramente exposto na Bíblia, e é por ouvir a Palavra que vem a fé em Jesus Cristo. Com respeito àqueles que nunca ouviram falar de Cristo, o Deus justo haverá de tratá-los sem cometer injustiça e em conformidade com a luz que receberam, quer da sua própria consciência, quer da natureza. Todavia, não poderão alegar desconhecer a lei de Deus.

5. Mediante a fé em Jesus Cristo, como seu único e suficiente Salvador, as pessoas, quem quer que sejam, de qualquer país ou cultura, sem distinção alguma de raça, sexo, posição social ou educação, são perdoadas completamente de seus pecados, aceitas por Deus como filhos e recebem o Espírito de Deus como selo e penhor desta salvação, iniciando assim uma nova vida neste mundo. Nesta nova vida, elas demonstram arrependimento pelas obras más cometidas, humildade e constante penitência diante de Deus, aliadas a uma grande alegria e gratidão a Ele por tão grande e completa salvação. A certeza que eles têm aqui nesta vida de terem sido salvos da condenação eterna não decorre de seus méritos ou obras - os quais eles não possuem - mas da graça e do favor de Deus. Por isto falam desta salvação não em termos arrogantes, mas humildemente, como pessoas que foram misericordiosamente salvas do justo castigo que mereciam.

6. A fé salvadora não é uma força emocional mística. Antes, é a confiança que parte de um coração regenerado por Deus em todas as suas promessas, principalmente aquela de vida eterna na pessoa de Jesus Cristo, Seu Filho. Esta confiança envolve uma compreensão básica do que o Evangelho nos diz sobre Cristo e sua morte e ressurreição e um assentimento intelectual a estes fatos. Como nem esta compreensão e nem mesmo a fé têm origem na capacidade humana, afetada como está pelo pecado, segue-se que a salvação, tendo custado um alto preço que foi a morte de Cristo, é dada gratuitamente por Deus. Ela não depende de obras, mérito, esforço ou qualquer outra coisa que tenha origem no ser humano. É puramente pela graça, mediante a fé.

JESUS NOS DÁ A SUA ALEGRIA

Texto Básico: João 16.16-22.

Por: Arival Dias Casimiro


A tristeza causada pelas perdas é um dos problemas mais difíceis para o ser humano resolver. Os discípulos estavam tristes e angustiados porque perderiam a companhia de Jesus. Naquele ambiente de tristeza e dor, Jesus nos ensina quatro lições sobre tristeza e alegria.

Primeira lição, o cristão não está imune ao choro e a tristeza.

Em verdade, em verdade eu vos digo que chorareis e vos lamentareis (v.20). Jesus diz que os discípulos enfrentariam o choro e o lamento. A tristeza existe. Viver é sofrer. E o sofrimento tem várias causas, diferentes durações e diversos graus de intensidade. Neste mundo teremos aflições. A fé em Deus não nos dá imunidade ou isenção de sofrimento. Sofremos quando obedecemos ou desobedecemos a Deus. E não devemos ter uma atitude de indiferença em relação ao sofrimento e as tribulações que passamos. Não coloque uma fachada de coragem só para que os outros pensem que você é “mais espiritual”. Não negue a dor e os sofrimentos da vida em nome de uma falsa espiritualidade.

Segunda lição, a tristeza do cristão é passageira.

Jesus diz: agora vós tendes tristeza. É o momento da cruz, do sofrimento e da minha morte. Mas, esta tristeza que se inicia na sexta-feira acabará no domingo da ressurreição: Vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria. (v20). O choro pode durar uma noite inteira, mas a alegria vem pela manhã. O salmista declara: Converteste o meu pranto em folguedos; tiraste o meu pano de saco e me cingiste de alegria, para que o meu espírito te cante louvores e não se cale. SENHOR, Deus meu, graças te darei para sempre (Sl 30.11-12). Sabemos que por causa do sacrifício de Jesus, já está determinado que no novo céu e na nova terra não haverá dor, morte e tristeza. Deus enxugará dos nossos olhos toda a lágrima (Ap 21.4).

Terceira lição, a alegria de Jesus nos é dada por transformação e não por substituição.

Jesus usa a figura da mulher que está para dá luz (v.21). A mesma criança que foi a causa da dor também causou a alegria. A dor da mãe não foi substituída, mas transformada em alegria. Deus transforma maldição em benção: Porém o SENHOR, teu Deus, não quis ouvir a Balaão; antes, trocou em bênção a maldição, porquanto o SENHOR, teu Deus, te amava (Dt 23.5). Deus faz com que o mal feito para nós seja transformado em bem. Foi o que aconteceu com José do Egito: Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida (Gn 50.20). Deus converte a tristeza em alegria.

Quarta lição, a alegria dada por Jesus é indestrutível.

Assim também agora vós tendes tristeza; mas outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar (v.22). A alegria relaciona-se com a contemplação do Cristo ressurreto. Foi o que aconteceu no domingo da ressurreição: E, dizendo isto, lhes mostrou as mãos e o lado. Alegraram-se, portanto, os discípulos ao verem o Senhor (Jo 20.20). Eles viram o Senhor e se alegraram. Esta alegria ninguém poderá tirar ou destruir. Não importa a prova ou tribulação que você está enfrentando. Alegre-se em Jesus. Somente a alegria de Jesus pode nos consolar nas tristezas desta vida.

FONTE: https://www.facebook.com/arivaldias.casimiro/posts/847538555366327

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

A oração de Jonas

I. A prisão de Jonas (no peixe) (1:17, 2:1)
A. O LUGAR E A DURAÇÃO DA SUA PRISÃO
Quando os marinheiros atiraram Jonas ao mar, um grande peixe o engoliu e ele permaneceu no peixe durante três dias e três noites.
B. AS COISAS IMPORTANTES SOBRE O PEIXE
1. Era um "grande" peixe (1:17)-A Bíblia não diz que este peixe era uma baleia, mas pode ter sido. Muitos peixes são capazes de engolir um homem.
2. Era um peixe "preparado" (1:17)-Deus pessoalmente dirige e controla a sua criação, tanto a criação inanimado, quanto as criações animadas, Matt. 5:45. As leis da natureza são apenas formas usuais de Deus de executar o seu universo. Milagres são os Seus caminhos incomuns de executá-lo.
3. Era um peixe obediente (2:10)-Todas as criaturas da criação obedecer a Deus, exceto homens pecadores e anjos caídos. Quando os homens incorrigíveis e anjos maus são finalmente destruídos, então não é um dedo da oposição será levantada contra Deus em qualquer lugar do universo.
II. A ORAÇÃO DE JONAS (2:1-9)
A. Era uma oração direta a DEUS  (2:2), Jonas orou "o Senhor seu Deus." Nós, como cristãos, estão conscientes de que Deus é ainda o nosso Deus, mesmo quando estamos em rebelião contra ele.
B. Era uma oração desesperada (2:2, 3), Jonas orou "no meio da sua aflição" (veja a coluna central). Nós, como cristãos somo a costumados a só olhar e orar a Deus somente quando vemos que as coisas ao nosso redor estão cada vez piores e não melhores. As Escrituras nos dão muitos exemplos de oração em meio a aflição, Exo. 32:31, 32; 1 Sam. 1:9-11; Dan. 9:3-19; Matt. 26:36-46.

C. Era uma oração, Baseada quase totalmente NASESCRITURAS- cada declaração da oração é uma citação das Escrituras (confira as referências de coluna central). Jonas não conseguiu ler a Bíblia no peixe, então ele citou as Escrituras de memória. Quando memorizamos as escrituras elas nos dão conforto, paciência, orientação e esperança em tempos de angústia e testes, Sl. 119:11, 105; Rom. 15:04, 1 Coríntios. 10:11.
D. Era uma oração cheia de fé (2:04), Jonas aceito pela fé, 02:04, o que  mais tarde ele sabia que iria acontecer, 02:10. Jonas não era como muitos cristãos que se surpreendem quando suas orações são respondidas, Atos 12:12-17, Tiago 1:6-8.
III. A confissão de Jonas (02:08, 9)
A. Ele confessou que a idolatria, impede a misericórdia (2:08)- Os que servem ídolos ("vãs vaidades") isolar-se de Deus, fonte de toda a misericórdia. Jonas vinha praticando uma forma de idolatria (servindo a si mesmo) em sua rebelião e não esperava misericórdia, mas agora ele está se voltando para Deus e assim, mais uma vez espera, e está confiante da misericórdia de Deus.
B. Ele confessou que a salvação é do Senhor ("Senhor") (2:9)- Toda salvação (libertação), seja espiritual ou física, é do Senhor, seja direta ou indiretamente.
IV. CONVERSÃO DE JONAS (através da sua rebelião)
As etapas de sua conversão:
A. Ele percebeu sua condição (2:2, 4, 6)-Ele percebeu que ele foi expulso diante de Deus (cortado do favor de Deus), 02:04, e o isolou  da terra dos viventes (ele estava em seu túmulo ", o ventre do inferno"), 2:2, 6. Ele percebeu que tinha chegado ao seu fim.
B. Ele reconheceu Deus como o autor de seus problemas (2:3)-Temos que ver que Deus, e não o destino, o acaso, ou o acidente, como a causa de nossos problemas, ou então não vamos voltar para Deus para a libertação do nosso problemas, LAM. 03:39; Dan. 09:11, 12; Amos 4:6-12; Heb. 12:10.
C. Ele confessou o seu pecado (02:08), Ele, por implicação, confessou que tinha observado "as vãs vaidades " (isto é, que ele havia seguido seu próprio caminho, que é uma forma de idolatria).
D. Ele abandonou a sua rebelião (2:9)-Ele prometeu deixar sua rebelião e fazer a vontade de Deus.
E. Ele orou a Deus por misericórdia (02:08, 9)- Ele confessou e abandonou seu pecado e, em seguida, orou a Deus por misericórdia, Prov. 28:13, prometendo agradecer a Deus pelo livramento e cumprir o seu voto.
V. A MORTE DE JONAS
A. A questão da sua morte Alguns estudiosos da Bíblia acreditam que Jonas permaneceu vivo no peixe enquanto outros acreditam que ele morreu. O autor deste comentário leva o último ponto de vista.
B. As provas de sua morte- Vêm das Escrituras e da analogia:
1. As provas da Escritura
As águas abrangeu Jonas "até a alma", 2:05. As algas marinhas se enrolaram em torno de sua cabeça, 02:05. Sua alma ("vida") foi criado a partir de corrupção, 02:06. Quando (ou antes, como poderia ser traduzido) sua alma desmaiou dentro dele, lembrou-se do Senhor, 02:07.
2. A prova de analogia
De acordo com Matt. 12:39-41, a experiência de Jonas no peixe é um tipo da morte de Cristo, sepultamento e ressurreição, por isso Jonas deve ter morrido no peixe, como Cristo foi morto na sepultura se o tipo é verdadeiro. Assim como a ressurreição de Jonas foi "um sinal" para os ninivitas, Matt. 00:39, mesmo assim foi a ressurreição de Cristo "um sinal" para o mundo, Matt. 00:39; Rom. 01:04. Sem dúvida, foi a ressurreição de Jonas, que deu tal autoridade à sua mensagem que causou os ninivitas se voltar para Deus.
VI. A RESSURREIÇÃO E LIBERTAÇÃO de Jonas (2:10)
Quando tivermos aprendido a lição de que o nosso julgamento (correção) foi enviado para nos ensinar, então Deus fala ao "peixe" que nos engoliu e nos levou até as profundezas "vomita" nós na terra seca (nos livra) , Jó, capítulos 33 e 42 capítulos; LAM. 3:29-33.

Assim como Deus resistiu Jonas quando ele estava orgulhoso (desobediente), do mesmo modo, Deus lhe mostrar a graça quando ele se humilhou, Tiago 4:6.

FONTE: GINGRICH, Roy E. Comentário Bíblico em Esboços. Memphis: Riverside Printing, 2013.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

PERIGOSAS ATRAÇÕES


Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo.
E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim.
E dizia isto, significando de que morte havia de morrer.
João 12:31-33


Recentemente fui surpreendido com uma afirmação paradoxal de uma adolescente: - “Eu não vou para a igreja da minha vô porque lá não tem nenhum atrativo?”. Curioso, perguntei a mãe da adolescente o que ela entendia por “nenhum atrativo”.  Ao que ela me respondeu que a aludida igreja não tinha entretenimento para os jovens. Esse pequeno episódio me fez lembrar as palavras de Jesus citadas acima “e eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim”. De pronto, assomou a seguinte pergunta a minha cachola: o que tem atraído as pessoas a Cristo (ou à igreja)?

O parêntese acima (ou à igreja) não é por acaso. Ele procura assinalar os paradoxos provocados pela utilização de técnicas de crescimento emprestadas do mundo. Não é minha pretensão apresentar um inventário dessas técnicas, outros já o fizeram[1]. O que procuro apontar são os problemas eclesiológicos que essas técnicas acabam por colocar. O que é a igreja?  Qual a relação da igreja com o mundo? A quem ela pertence? Como ela pode alcançar os perdidos? 

A palavra paradoxo, segundo o dicionarista Aurélio, significa “pensamento, proposição ou argumento que contraria os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano, ou desafia a opinião consabida, a crença ordinária e compartilhada pela maioria”. Neste caso, portanto, a utilização dessas técnicas acaba por solapar as bases doutrinárias da própria igreja, que precisaria rever suas mais cristalizadas doutrinas, para “atualizar” a Bíblia ao contexto atual. Aqui é oportuno citar as palavras de Paul Washer, proferidas num pequeno vídeo disponível no site voltemosaoevangelho.com, cujo título é "igrejas e as técnicas carnais", onde ele afirma que “se você usa meios carnais para atrair pessoas para a igreja, você ira atrair pessoas carnais e terá que continuar usando meios carnais maiores ainda para mantê-los na igreja. Que meios você está usando?”

Buscando responder a essa indagação, vamos fazer uma breve incursão no texto acima, que é esclarecedor sobre essa temática. D. A Carson (2007, p. 442), diz que podemos discernir cinco ênfases nesta passagem, todas ligadas com a paixão/glorificação de Cristo, contexto imediato da passagem:

A primeira ênfase versa sobre o julgamento deste mundo – “agora é o juízo deste mundo”. Hendriksen (2014, p. 574) diz que o mundo se viu vitorioso ao crucificar Jesus, mas não se “deu conta de que, exatamente por meio dessa ação, ele condenou a si mesmo”. O mundo, aqui, são todos aqueles que estão em rebelião contra seu Criador, se opondo a ele e transgredindo suas leis. O julgamento do mundo se dá em função dessa rebelião, que não pode ser tolerada por Deus. Carson (2007, p. 442) acrescenta que “a paixão/glorificação de Jesus significa julgamento tanto positiva quanto negativamente”. Positivamente, porque ali está sendo revelado o amor de Deus por nós da maneira mais intensa; negativamente, porque ali está sendo revelada a mais obscura e cruel face do pecado e dos pecadores. Quando o mundo rejeita o Filho de Deus está fechando a única porta de esperança e salvação possível, está julgando-se, e proferindo a sua própria sentença (Jo 3. 18-21).

A segunda ênfase está relacionada com o julgamento de Satanás – “agora será expulso o príncipe deste mundo”. Da mesma forma que a crucificação parece ser a vitória do mundo sobre Jesus, o mesmo se aplica a Satanás. Aquilo que é para ele considerado o instrumento do triunfo, a cruz, para Cristo é a mais eloquente declaração de vitória. Como diz Hendriksen (2014, p. 574):

Então, por meio da morte de Cristo, o poder de Satanás sobre as nações do mundo é quebrado. Durante a antiga dispensação, essas nações estiveram sob a escravidão de Satanás (embora, naturalmente, nunca no sentido absoluto do termo). Com a vinda de Cristo, ocorre uma mudança tremenda. No Pentecostes e depois dele, começamos a ver a reunião da Igreja entre todas as nações do mundo (cf. Ap 20.3).

  A terceira ênfase está relacionada com a paixão/glorificação – “E eu, quando for levantado da terra”. O termo “levantado” é ambíguo, pois é possível lê-lo de duas maneiras. Em primeiro lugar, "levantado" remete à crucificação no monte chamado Caveira, a elevação da própria cruz, mas, em segundo lugar, também remete à exaltação de Jesus após a sua ressurreição e retorno ao céu. João, no verso 33, esclarece que Jesus “dizia isto, significando de que morte havia de morrer”, ou seja, a cruz. Segundo Carson (2007, p. 443) “a morte de Jesus é o caminho para sua glorificação, na verdade, uma parte integral dela. Sua glorificação não é uma recompensa ou prêmio por sua crucificação; ela é inerente a sua crucificação” (Fl 2.5-11). A humilhação mais crassa é o caminho, para o Cristo, da mais gloriosa exaltação.
    A quarta ênfase está relacionada com a atração provocada pela paixão/glorificação de Jesus – “todos atrairei a mim”. Conforme indica o contexto, “todos” se refere aos gregos que queriam ver Jesus e aos judeus, que ali estavam também. Trocando por miúdos, significa dizer que a morte de Cristo atrairia as nações da terra a Ele (Sl 2). A atração diz respeito a Ele mesmo, e não a cruz. A Ele mesmo quer dizer a união perfeita que gozam aqueles que foram enxertados na videira verdadeira. Sobre a forma e o meio da atração, Hendriksen (2014, p. 574) arremata de forma esclarecedora que:

Por meio de sua crucificação, ressurreição, ascensão e coroação, Jesus atraiu a si mesmo (isto é, à fé eterna nele mesmo) todos os eleitos de Deus de todos os tempos, regiões e nações. Ele os atraiu por meio de sua Palavra e de seu Espírito. Essa atividade do Espírito é a recompensa por haver o Filho sido levantado.

      A quinta ênfase está relacionada à natureza escatológica desses eventos. Todos esses eventos parecem remeter apenas ao final dos tempos, como a leitura do Apocalipse dá a entender, quando fala do juízo final. No entanto, o fim dos tempos já começou. Como diz Carson “não é que não esteja reservado para a consumação; antes, significa que o passo decisivo está para ser dado na morte/exaltação de Jesus” (2007, p. 444).

      Gostaria de encerrar lembrando que o poder de atração da igreja não está nos seus métodos ou técnicas de crescimento. Não está na eloquência do pregador. O poder de atração da igreja está na paixão/exaltação de Jesus e nas consequências que ela promoveu. Ao subir ao céu Jesus mandou o Outro Consolador, o Espirito Santo, para dar testemunho do Filho perante o mundo. É Ele que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo, pela instrumentalização da Palavra de Deus. Portanto, o melhor atrativo da igreja é o Seu fundador – Jesus Cristo.

Referências Bibliográficas


CARSON, D. A. O comentário de João. São Paulo: Shedd Publicações, 2007.

HENDRIKSEN, William. O Evangelho de João. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.


O IMPERATIVO DA UNIDADE CRISTÃ


Rev. Hernandes Dias Lopes
O apóstolo Paulo está preso e algemado na antessala do martírio, mas sua atenção não está voltada para si mesmo. Havia alegria em seu coração (Fp 4.4,10), mas sua medida ainda não estava cheia. Um grau mais elevado de unidade, de humildade e de solicitude em família podia completar o que ainda faltava no cálice da alegria de Paulo. Seu principal anseio não era a rápida libertação da prisão, mas o progresso espiritual dos filipenses. Sua alegria, não vem de suas condições pessoais, mas da condição da igreja de Deus. Mesmo preso, Paulo diz que a igreja de Filipos era sua alegria e coroa (Fp 4.1). Suas orações em favor dos cristãos filipenses eram orações alegres (Fp 1.4). Mas, agora, o apóstolo deseja que o cálice da sua alegria transborde e por isso ordena: “Completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma cousa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento” (Fp 2.2). Paulo não pode estar alegre enquanto o espírito de facção existir nessa generosa igreja de Filipos. Paulo exorta aqueles irmãos para que tenham unanimidade de coração. Não se trata da unanimidade formal que se consegue manter mediante o poder de veto; trata-se daquela unanimidade sincera de propósitos, pela qual ninguém deseja impor um veto sobre as pessoas.
Aquela mesma igreja que estava comprometida com Paulo no apoio missionário, dando-lhe conforto e sustento financeiro, estava sendo ameaçada por divisões internas e isso estava toldando a alegria no coração do velho apóstolo.
Como a igreja poderia completar a alegria de Paulo?
1. Demonstrando unidade de pensamento (Fp 2.2). A unidade de pensamento não é uma coisa fácil de alcançar, especialmente onde as pessoas têm uma mente ativa e um espírito independente. O verbo grego phronein usado aqui para definir “o pensar a mesma coisa” aparece nesta carta dez vezes, enquanto aparece apenas mais treze vezes em todas as demais epístolas. Usando a palavra phronein, Paulo não tem em vista o “pensamento” teórico do teólogo, mas o pensar prático, subordinado ao querer. Aqui se trata do “pensamento” que conduziu o Filho de Deus do trono da glória para a vergonha da morte na cruz! Se todos “pensarem” da maneira como Jesus Cristo também pensou, como ele morreu por pecadores, não poderão se separar; hão de apegar-se aos irmãos. Fica claro que a palavra phronein traduzida aqui por “mente” denota não uma capacidade intelectual, mas uma ação e uma atitude moral. Obviamente, “ter uma só mente” não significa que os crentes têm que concordar em tudo; em vez disso, cada crente deve ter a mesma atitude de Cristo (Fp 2.5).
2. Demonstrando unidade nos relacionamentos (Fp 2.2). Os irmãos da igreja de Filipos precisam ter o mesmo amor uns pelos outros, igual ao que Cristo tem por eles. O amor de Cristo o trouxe do céu para a humilde condição da natureza humana, para morrer na cruz em favor dos pecadores. Muito embora os crentes não podem fazer o que Cristo fez, eles podem seguir seu exemplo, quando expressam o mesmo amor na maneira de lidar uns com os outros.
3. Demonstrando unidade espiritual (Fp 2.2). A igreja precisa ser unida de alma. Jesus orou para que todos aqueles que creem possam ser um como ele e o Pai são um (Jo 17.22-24). Essa frase significa dois corações batendo como se fosse um só. Na igreja de Deus não há espaço para disputas pessoais. A igreja não é um concurso de projeção pessoal nem um campeonato de desempenhos pessoais. A igreja é um corpo onde cada membro coopera com o outro, visando a edificação de todos.
4. Demonstrando unidade de sentimento (Fp 2.2). A igreja precisa ter o mesmo sentimento. A igreja é como um coro que deve cantar no mesmo tom. Os crentes não são competidores, mas cooperadores. Eles não são rivais, mas parceiros. Eles não estão lutando por causas pessoais, mas todos estão buscando a glória de Deus.

FONTE: http://ipbvit.org.br/2015/08/15/o-imperativo-da-unidade-crista/

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

OS PERIGOS QUE AMEAÇAM A UNIDADE DA IGREJA


Ao escrever sua epístola aos Filipenses, Paulo mencionou o exemplo negativo de alguns crentes de Roma que estavam trabalhando com a motivação errada (Fp 1.15,17). Isso, certamente, enfraquecia a unidade da igreja. Agora, Paulo fala sobre dois perigos que conspiram contra a unidade da igreja. Que perigos são esses?
Em primeiro lugar, o partidarismo (Fp 2.3). A igreja de Filipos tinha muitas virtudes, a ponto de Paulo considerá-la sua alegria e coroa (Fp 4.1). Mas esta igreja estava ameaçada por alguns sérios perigos na área da unidade. Havia tensões dentro da igreja. A comunhão estava sendo atacada. A palavra grega eritheia traduzida por “partidarismo” é resultado de egoísmo. Depois de Paulo mencionar a atitude mesquinha de alguns crentes de Roma que, movidos por inveja pregavam a Cristo para despertar ciúmes nele, pensando que o seu trabalho apostólico era uma espécie de campeonato em busca de prestígio, volta, agora, suas baterias para apontar os perigos que estavam afetando, também, a unidade na igreja de Filipos. Que perigos?
   O perigo de trabalhar sem unidade (Fp 1.27). Nada debilita mais a unidade da igreja do que os crentes estarem engajados no serviço de Deus sem unidade. A obra de Deus não pode avançar quando cada um puxa para um lado, quando cada um busca mais seus interesses do que a glória de Cristo. Na igreja de Filipos havia ações desordenadas. Eles estavam todos lutando pelo Evangelho, mas não juntos.
O perigo de líderes buscarem seus próprios interesses (Fp 2.21). Paulo ao enviar Timóteo à igreja de Filipos e dar bom testemunho acerca dele, denuncia, ao mesmo tempo, alguns líderes que buscavam seus próprios interesses. Esses líderes eram amantes dos holofotes; não buscavam a glória de Deus nem a edificação da igreja, mas a construção de monumentos aos seus próprios nomes.
O perigo do mundanismo na igreja (Fp 3.17-19). A unidade da igreja de Filipos estava sendo ameaçada por homens mundanos, libertinos e imorais. Essas pessoas fizeram Paulo sofrer de tal modo, que o levaram às lágrimas (Fp 3.18). Paulo os chama de inimigos da cruz de Cristo (Fp 3.18). Essas pessoas eram mundanas, pois só se preocupavam com as coisas terrenas (Fp 3.19). Eram comilões, beberrões e imorais, com uma visão muito liberal da fé cristã, do tipo que está sempre dizendo: “isso não é pecado, não tem problema”. Em vez de a igreja seguir a vida escandalosa desses libertinos, deveria imitar o seu exemplo (Fp 2.17).
O perigo dos crentes viverem em conflito dentro da igreja (Fp 4.2). Aqui o apóstolo está trabalhando com a questão do conflito entre lideranças da igreja local, pessoas que disputam entre si a atenção e os espaços de atuação na igreja. Quando o trabalho era dirigido pela família de Evódia, possivelmente o pessoal de Síntique não participava, e quando era promovido por Síntique quem não participava era o pessoal.
Em segundo lugar, a vanglória ou o egoísmo (Fp 2.3). Vanglória é buscar glória para si mesmo. A palavra grega kenodoxia traduzida por “vanglória” só aparece aqui em todo o Novo Testamento. Ela denota uma inclinação orgulhosa que busca tomar o lugar de Deus, e a estabelecer como um status auto-assertivo que rapidamente induz ao desprezo do próximo (Gl 5.26). A vanglória destrói a verdadeira vida comunitária. Paulo colocou seu “dedo investigativo” bem na ferida dos filipenses. Os membros da igreja de Filipos estavam causando discórdia por causa de suas atitudes ou ações. Eles desejavam reconhecimento ou distinção, não por puros motivos, mas meramente por ambição pessoal. Eles estavam criando partidos baseados em prestígio pessoal, ao mesmo tempo em que desprezavam os outros.

Rev. Hernandes Dias Lopes



segunda-feira, 10 de agosto de 2015

VENCENDO AS TENTAÇÕES



Rev. Arival Dias Casimiro

Bem vindo à experiência da tentação. Ela faz parte da vida normal de um verdadeiro discípulo de Jesus. A tentação é uma prova de nossa filiação divina e da nossa íntima relação com Deus. O próprio Jesus foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas ele não pecou (Hb 4.15; Mt 4.1-11). Precisamos aprender as estratégias bíblicas para vencermos as  tentações:

1. O QUE É UMA TENTAÇÃO

Tentação é uma sugestão interna ou externa que vem sobre o crente, com o objetivo de prejudicar o seu relacionamento espiritual com Deus. Trata-se de uma proposta para a satisfação dos seus desejos de maneira que ofenda a Deus. A tentação é uma oportunidade de realizar algo bom de maneira errada, fora da vontade de Deus. Por exemplo, o sexo é algo que Deus criou para o nosso prazer, mas somos tentados a praticá-lo em desacordo com a orientação de Deus.
A diferença fundamental entre a provação e a tentação está na sua origem e objetivo. A provação procede de Deus e visa o amadurecimento do crente (Tg 1.2-4). A tentação brota da nossa natureza pecaminosa, de Satanás e do mundo, e o seu objetivo é prejudicar o nosso relacionamento com Deus.
A tentação em si não é pecado, mas uma proposta para o pecado. Jesus foi tentado em todas as coisas, mas não pecou, e está pronto a socorrer os que a sofrem (Hb 2.18; 4.15). Pelo fato de estarmos em comunhão com Deus, somos tentados a pecar. Mas, com a ajuda de Deus, podemos vencer a tentação (1Co 10.13).  Jesus intercede por nós quando estamos sob tentação (Lc 22.31-32;  Jo 17.15)

2. AS FONTES DA TENTAÇÃO.

A Bíblia nos ensina que as tentações nos vêm de três fontes principais:
- Nossa natureza pecadora (carne) - Mt 26.41; Rm 6.19; Rm 7.5,18,25; Gl 5.13; Ef 2.3; Gl 5.17
- Sociedade sem Deus (mundo) - 1Jo 2.15; Rm 12.2; Tg 4.4; 1Tm 6.10
- Satanás ou o Diabo (espiritual) - Ef 6.10-12; Tg 4.7 - 1Ts 3.5; Ef 6.10-12; 1Cr 21.1; 2 Co 2.11; Tg 4.7; 1Pe 5.9

3. AS ESTRATÉGIAS PARA VENCER A TENTAÇÃO.

A tentação é permitida por Deus ao crente com o objetivo de testa-lo e aprova-lo. Ela pode ser vencida com os recursos que Deus nos fornece. Podemos obter vitória sobre as tentações com as seguintes estratégias:
- Vigilância e oração - Mt 26.41; Mt 6.13; Rm 14.13
- Enfrente a tentação com a Palavra de Deus - Mt 4.1-11; Sl 119.11; Hb 4.12-13
- Fuja da tentação pelo escape que Deus lhe dá - 1Co 10.13
- Evite os caminhos da tentação – 2 Tm 2.22; Rm 13.14; Pv 4.14-15
- Busque a plenitude do Espírito - Ef 5.18; Ef 6.10-20

CONCLUSÃO


Ser tentado não é uma opção do crente, mas uma realidade que precisa ser enfrentada na vida espiritual. Para vencermos as tentações precisamos utilizar os recursos espirituais que Deus nos disponibiliza. Não confie em si mesmo. Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia (1Co 10.12).

terça-feira, 28 de julho de 2015

Como lidar com nossos próprios fracassos espirituais?


Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.
E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. 1 João 2:1,2

Como lidar com nossos próprios fracassos espirituais? Ou, se você quiser, o que fazer quando pecamos? Pergunta difícil. Objeto de acalorados debates e discussões por parte dos doutores da teologia, abordada em páginas e páginas de rebuscadas argumentações. Leia, caro leitor, uma obra de história do pensamento cristão para tirar suas conclusões. A intenção deste texto é menos pretensiosa, gostaria apenas de mostrar o que João nos diz sobre esse assunto na sua primeira epístola, mas especificamente em I Jo 2.1,2. 

Como aconteceu em quase todas as cartas do Novo Testamento, uma heresia (ou várias) estava ameaçando os crentes, provavelmente da Ásia (LOPES, 2004, p. 11). A heresia era uma espécie de proto-gnosticismo, que enfatizava que o espírito é totalmente bom e a matéria totalmente má - dualismo. Além disso, ensinavam que a salvação se dá por meio de um conhecimento esotérico – a gnose – que somente os iniciados possuem. 

As consequências para o cristianismo são obvias. Para a teologia, a negação da plena encarnação e divindade de Jesus, que é visto como um fantasma - docetismo -, pois como a matéria é má Ele não poderia ter um corpo de carne e osso. Para a ortopraxia, o ascetismo e o antinomianismo. Como João dá maior ênfase ao antinomianismo que está sendo ensinado pelos falsos mestres, darei uma breve explicação sobre ele. Em linhas gerais, o antinomianismo significa uma vida sem lei ou regras (LOPES, 2004). Aplicado ao contexto da Epístola, seria dizer que o cristão é livre para fazer o que quiser, que pode dar vasão aos seus instintos mais baixos, pois, onde abundou o pecado, superabundou a graça. Como o corpo é mal, nada do que fazemos por meio dele afeta a alma ou prejudica nossa comunhão com Deus. “O que o corpo faz, a alma perdoa”, como diz a música. João, portanto, fornece alguns critérios para que os irmãos pudessem avaliar a validade dessas doutrinas e viver em verdadeira comunhão com Deus.

Gostaria de destacar que a provisão do Pai para o cristão que peca está em Seu Filho, que possui tríplice qualificação (STOTT, 1982): 

Em primeiro lugar, Sua advocacia celestial. Como ensina Stott (1982, p. 69), a palavra advogado (lat. advocatus e gr. paraklêtos), significa “chamado ao lado de”, e descreve alguém convocado para assistência a outrem. Lopes (2004, p. 47) diz que “aplicada a Cristo, a idéia é que ele fala sobre nós com o Pai, em nossa defesa, e intercede para que sejamos perdoados (Rm 8.34; l Tm 2.5; Hb 7.24,25)”. Embora a comparação remeta-nos à imagem do tribunal, João nos lembra de que a nossa “defesa” não é perante um juiz, mas de um pai. Isso porque a nossa relação com Deus mudou, fomos justificados por Cristo, nenhuma condenação há para aqueles que estão Nele. Portanto, quando Cristo intercede por nós no céu quando pecamos não é a satisfação da justiça que é visada, mas o perdão para o filho que errou (STOTT, 1982). 

Em segundo lugar, Seu caráter justo. Cristo é perfeito, não conheceu pecado. Sua vida foi imaculada, impoluta. Por isso “é mais que evidente que somente por meio de um Salvador justo poderíamos ser purificados “de toda injustiça” (1:9). Cf. 2 Co 5:21 e 1 Pe 3:18” (1982, p. 71).

Sua morte propiciatória. Propiciação é uma palavra tirada da liturgia dos sacrifícios levíticos do Antigo Testamento. Assim como o animal morto nestas cerimonias representava o “pagamento” pelo pecado do transgressor da lei – a alma que pecar, essa morrerá -, o apaziguamento da ira de Deus e sua reconciliação com Ele, da mesma forma a morte de Cristo para o cristão representa substituição, perdão e reconciliação. Como diz Stott (1982, p. 73) “Ele não poderia ser nosso Advogado no céu hoje, se não tivesse morrido para ser a propiciação pelos nossos pecados; e a Sua propiciação não teria sido eficaz, se em Sua vida e caráter não tivesse sido Jesus Cristo, o justo”.

Caro irmão, fuja da autoindulgência, a provisão de Deus não deve nos encorajar ao pecado, mas fuja também da severidade exagerada consigo, recusando a provisão de Deus para sua vida. “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis”, essa é a intenção de João para as suas ovelhas – e também a de Jesus, quando disse à mulher pecadora “vai e não peques mais” -, mas sabemos que acidentes acontecem e para essas circunstancias é que João nos lembra que temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.


Referências Bibliográficas

STOTT, John. As epístolas de João: introdução e comentário. São Paulo: Edições Vida Nova e Editora Mundo Cristão, 1982. 

LOPES, Augustus Nicodemus. Interpretando o Novo Testamento: primeira carta de João. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.

As bíblias citadas foram consultadas no site: www.bibliaonline.com.br. Acesso em: 28 jul 2015.

COMO ERAM AS MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO E NO NOVO TESTAMENTO?

O Evangelho de João relata uma passagem da vida de Jesus que leva algumas pessoas a entender que o Espírito Santo não agia entre o povo d...