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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

BARREIRAS À RESPOSTA ÀS ORAÇÕES



Exatamente como os pais e as mães desejam atender às necessidades dos seus filhos em expressão do seu amor por eles, também o nosso Pai Celestial se deleita em atender às nossas orações. Contudo, oração é muito mais do que aproximar-se de Deus com pedidos. A oração é uma experiência preciosa de comunhão e adoração; é conhecer melhor o nosso Pai e a nós mesmos. A oração é um dos mais altos privilégios que temos na vida cristã, e Deus se deleita em responder orações. Nosso Senhor Jesus disse: "Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará boas cousas aos que lhe pedirem?" (Mt. 7: 11).
Isso nos leva ao grande problema das orações não respondidas. Algumas pessoas argumentam que Deus sempre responde às orações. Ou ele diz sim, ou diz espere. Eu creio, contudo, que essa é uma maneira um tanto superficial de lidar com o problema da oração não atendida. É verdade que às vezes Deus retarda a resposta às nossas orações. Seus horários são diferentes dos nossos. Quando Lázaro estava muito doente, suas irmãs, Maria e Marta, mandaram um recado ao Senhor Jesus. Mas o Senhor deliberadamente retardou a sua ida. Quando finalmente chegou a Betânia, Lázaro já estava na sepultura há quatro dias. Cristo propositalmente adiou a sua ida para que a glória de Deus fosse maior em ressuscitar esse homem dos mortos (veja João 11:1-44). Nesse caso o Senhor atrasou-se porque aguardou o momento certo para realizar os propósitos de Deus.
Além disso, Deus às vezes retarda ou nega um determinado pedido porque Ele tem uma bênção maior para nós. Muitas vezes somos como crianças que desejam algum brinquedo barato agora mesmo. Nosso Pai Celestial, sendo um bom pai, não nos dá o que nós queremos naquela hora porque tem alguma coisa muito melhor planejada para nós.
Assim, mesmo quando estamos orando dentro da vontade do Senhor, podemos ter alguns pedidos modificados ou adiados para o nosso bem. Mas continuam sendo formas de orações atendidas. Mas a Bíblia ensina que às vezes Deus não ouve ou não atende às nossas orações. Essas orações não atendidas não são devido à incapacidade dele de ouvir ou de responder, mas são o resultado de barreiras que nós levantamos em nossos corações. Portanto, o problema da oração não respondida é realmente um problema nosso, não de Deus. O Senhor não vai atender a uma oração simplesmente para nos estragar com mimos. Embora Ele saiba e veja todas as coisas e seja todo-poderoso, não atende nossas orações quando estão fora da Sua vontade ou quando são inconsistentes com a natureza dele.
Quais são as barreiras que interrompem a nossa linha de comunicação com Deus? Embora a Bíblia descreva alguns impedimentos à oração, quatro apresentam de maneira particular sérios problemas em nossa vida de oração. Vamos examinar algumas dessas barreiras às orações.
PECADO ACARICIADO
A primeira barreira à oração é o pecado acariciado em nossas vidas. 0 Salmo 66:18 declara: "Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido". Nessa passagem, o salmista não está falando acerca de uma natureza pecadora. Cada pessoa que já passou pela terra teve uma natureza pecadora, com uma exceção importante: Jesus Cristo. Ele "não conheceu pecado" (II Co. 5:21). Ele "não cometeu pecado" (II Pe.2:22). Nele "não existe pecado" (I Jo. 3:5).
Mas, embora tenhamos natureza pecadora, só isso não impede nossas orações. É o contemplar o nosso pecado que impede que nossas orações sejam atendidas. A palavra "contemplar" significa saber que alguma coisa está presente, reconhecê-la e não fazer nada acerca disso. Se eu tenho consciência de algum pecado em meu coração e reconheço a sua presença mas não estou disposto a enfrentá-lo honestamente e fazer alguma coisa acerca disso, então Deus não me ouve quando eu oro.
O motivo dessa reação de Deus é óbvia. Estamos sendo hipócritas. Primeira João 1:6 diz: "Se dissermos que mantemos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade". Estamos dizendo uma coisa mas praticando outra. Ignorar nossos pecados e uma ofensa séria aos olhos de Deus, pois "se dissermos .que não temos cometido pecado, fazêmo-lo mentiroso e a sua palavra não está em nós" (v. 10).
Jó também confirmou o perigo da hipocrisia. Ele declarou: "Porque qual será a esperança do ímpio, quando lhe for cortada a vida, quando Deus lhe arrancar a alma? Acaso ouvirá Deus o seu clamor, em lhe sobrevindo a tribulação?" (Jó27:8, 9). Muitas pessoas nos dias de hoje andam tão ocupadas acumulando riquezas que ignoram os seus pecados e o próprio Deus. Quando têm problemas e estão para morrer, clamam a Deus pedindo ajuda. Mas o Senhor lhes diz o seguinte: "Olhe, você não me procurou antes nem resolveu os seus pecados. Por que eu teria de ouvi-lo agora?"
Quando estamos considerando, ou acariciando, um pecado oculto em nossos corações, o Senhor não ouve nem nos responde. Acariciar um pecado significa praticá-lo secretamente, pensar nele, gostar de relembrá-lo, não desejar encará-lo honestamente. Não devemos consentir que os pecados permaneçam em nossas vidas dessa maneira, mas devemos resolvê-los drasticamente. Jesus disse: "Se teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti . . . E se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de t i” (veja Mt. 5:29, 30). Obviamente, nosso Senhor não está falando em termos literais. Cirurgia física não produz espiritualidade. Ele está nos dizendo o seguinte: "Resolva o pecado de maneira drástica antes que ele se espalhe e destrua todo o seu ser".
Por isso, quando nos aproximamos de Deus em oração, devemos ter um período de confissão e purificação primeiro. "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos .perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (I João 1:9). No Antigo Testamento, para que os sacerdotes pudessem entrar no Lugar Santo do tabernáculo e do templo, e queimar incenso no altar de ouro (que representava as orações do povo), tinham de parar junto à bacia para lavar os pés e as mãos. Embora estivessem servindo ao Senhor, os sacerdotes continuavam impuros. Por isso, antes de entrar na santa presença de Deus, tinham de se purificar na bacia. Da mesma forma eu e você precisamos de purificação. "Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo; lava-me, e ficarei mais alvo que a neve" (SI. 51: 7).
EGOÍSMO
A primeira barreira à oração atendida é o pecado oculto que nós acariciamos e defendemos em nossas vidas. Uma segunda barreira que impede nossas orações é o egoísmo. Tiago destacou que, quando somos egofstas em nossas orações, Deus não nos ouve: "De onde procedem guerras e contendas, que há entre vós? De onde, senão dos prazeres que militam na vossa carne?" (Tiago 4:1). A passagem prossegue dizendo: "Cobiçais, e nada tendes; matais e invejais, e nada podeis obter; viveis a lutar e a fazer guerras. Nada tendes, porque não pedis; pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres" (vs. 2,3). É uma declaração um tanto dura, não é mesmo? Aparentemente, a congregação de Tiago estava tendo algumas discussões, divisões e disputas dolorosas. Um dos motivos porque estavam divididos entre si era que não estavam orando como deveriam. Estavam orando de maneira egoísta.
Embora não seja errado que o povo de Deus ore por si mesmo, não devemos colocar os nossos pedidos à frente dos pedidos de Deus de maneira egoísta. Na oração do Pai Nosso, notamos que os interesses de Deus vêm antes dos nossos: "Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino, faça-se a tua vontade" (Mt. 6 :9 , 10). Depois de orar pelos interesses de Deus, podemos dizer: "O pão nosso de cada dia dá-nos hoje" (v. 11). Isso nos mostra que podemos orar por nós mesmos. Muitas pessoas na Bíblia o fizeram. Quando lemos o Livro dos Salmos, vemos que Davi orou por si mesmo muitas vezes, pedindo purificação espiritual, poder, proteção física e livramento dos inimigos. No Novo Testamento, nosso Senhor Jesus orou por si mesmo em diversas ocasiões. Da mesma forma, Paulo orou por si mesmo como também pelos outros.
Como já observamos anteriormente, Deus gosta de atender orações e resolver as nossas necessidades. A oração egoísta, entretanto, não é o mesmo ’ que orar por nós mesmos. Oramos por nós mesmos para podermos servir aos outros. Oramos pelas nossas necessidades para podermos atender as necessidades dos outros. Isso é muito diferente da atitude descrita em Tiago 4: 2, 3: " . . . Nada tendes, porque não pedis; pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres". Nesse caso, nosso único propósito de oração é satisfazer os nossos próprios prazeres e desejos.
Quais são as evidências de uma oração egoísta? Primeiro, somos pessoas de difícil convivência. Estamos constantemente brigando e discutindo com os outros. Também queremos que as nossas vontades sejam satisfeitas. Não estamos interessados em glorificar â Déus, apenas em apaziguar os nossos desejos.
Mas o propósito da oração não é autogratificação. O propósito da oração é realizar a vontade de Deus. O Apóstolo João tornou isso muito claro quando escreveu: "E esta é a confiança que temos para com ele, que, se pedirmos alguma cousa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito" (I João 5:14, 15). Assim, vemos que quando pedimos de acordo com a vontade do Senhor, Deus promete atender nossos pedidos.
Já se disse que o propósito da oração não é fazer a vontade do homem no céu. E fazer a vontade de Deus na terra. Por isso é que devemos estudar as Escrituras para descobrir qual é realmente a vontade de Deus. O egoísmo é uma barreira às orações respondidas. Às vezes nossas orações podem ser egoístas e nós nem o percebemos. Por isso é que devemos busdar o discernimento do Espírito quando oramos. Além disso, devemos ter uma vida cheia da Palavra de Deus para saber como orar dentro da vontade de Deus.
DISCÓRDIA NO LAR
Uma terceira barreira às orações é a discórdia no lar. 0 fundamento dessa verdade se encontra em I Pedro 3 :7 , onde o Apóstolo Pedro disse: "Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, por isso que sois juntamente herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações". A palavra "interromper" tem um significado interessante no original. Significa fechar uma estrada para que o exército não possa passar. Esse método era freqüentemente usado nas guerras da antiguidade. Os soldados bloqueavam as estradas com pedras, árvores e outro tipo de barreiras para evitar que o exército inimigo avançasse. Assim, I Pedro 3: 7 nos diz que maridos e esposas, quando não convivem em harmonia, têm suas orações impedidas. Estão colocando barricadas e barreiras ao longo da estrada evitando que Deus atenda suas orações.
A oração é importantíssima no lar. Maridos e esposas precisam orar juntos diariamente. Mas fico admirado com a quantidade de maridos e esposas cristãos que ignoram esse aspecto do seu casamento. Eu e minha esposa temos frequentemente orientado jovens casais para que edifiquem o seu casamento sobre o fundamento do seu amor ao Senhor Jesus e sua fidelidade para com Ele. Qualquer outro fundamento simplesmente não pode permanecer.
Essa passagem de I Pedro nos mostra a importância de nosso relacionamento com todas as pessoas e especialmente com nossos maridos ou esposas. Devemos ter o máximo cuidado quando tratamos com outras pessoas. Se não estamos andando juntos de acordo com a orientação da Palavra de Deus e não estamos respeitando nossos cônjuges e outras pessoas como co-herdeiros em Cristo, então Deus não vai atender nossas orações.
Além disso prejudicar o lar cristão, também afeta a igreja. Se um pastor, professor ou líder da igreja não ora e não convive harmoniosamente com a sua família no lar, então as suas orações particulares e públicas não irão muito longe. Antes de um reavivamento na igreja, precisamos de um reavivamento em nosso casamento e lar. Temos de come­çar lendo a Palavra de Deus e orar junto em casa para que o nosso ministério na igreja seja tudo o que deve ser.
REJEIÇÃO DA PALAVRA DE DEUS
Abrigar pecados conhecidos em nossos corações, orar de maneira egoísta e ter discórdias no lar, tudo isso impede que nossas orações sejam respondidas. Um quarto impedimento em nossa vida de oração é a rejeição da Palavra de Deus. Lemos em Provérbios 28:9: "O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável''. Ignorar e rejeitar a Palavra de Deus é uma barreira à oração respondida.
A Palavra de Deus e a oração estão sempre juntas. Jesus disse: "Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito" (João 15:7). Em Atos 6 :4 descobrimos que os líderes da igreja primitiva dedicavam-se continuamente ao ministério da oração e da Palavra de Deus. A Palavra de Deus e a oração têm de andar juntas porque a Bíblia revela-nos a mente, o coração e a vontade de Deus. Quando os conhecemos, podemos reivindicar Suas promessas, a Sua vontade e a Sua provisão pelas nossas necessidades na oração.
A oração não é uma coisa que podemos fazer por nós mesmos. A oração é o resultado do Espí­rito de Deus usando a Palavra de Deus em nossas vidas. Se rejeitamos a Palavra, Deus não pode ouvir e atender nossas orações. Estaria violando a santidade de Sua natureza.
Deus deseja atender nossas orações. Infelizmente, Ele nem sempre pode fazê-lo porque nós colocamos uma barreira entre nós e Ele. Quando recusamo-nos a confessar e abandonar os pecados ocultos em nossas vidas, quando oramos com motivos egoístas, quando permitimos que haja discórdia em nossos lares e ignoramos a Palavra de Deus, colocamos barreiras em nossa vida de oração. Talvez devamos examinar nossos corações e vidas, pedindo a Deus que derrube algumas dessas barreiras. "Derruba cada ídolo, expulsa cada inimigo. Lava-me agora e eu serei mais alvo do que a neve".
Fonte: WIERSBE, Warren W. Famosas Orações não Atendidas. São Paulo: Imprensa Batista Regular, 1989. p. 5-14.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

As Estratégias de Satanás: O Ditador


Ref. Jo. 12:31; Jo. 14:30; 1 Tm. 3:6-7; Pv. 16:18; 1 Jo. 5:19; 1 Cr. 21:1-2, 7-8,14-19.

Introdução
Se eu lhe perguntasse "Qual foi o pior pecado que cometeu Davi?", certamente me responderia "Cometer o adultério com Bate-seba e fazer que matassem a seu marido na batalha". Certamente, os pecados de adultério e assassinato (unidos ao engano) são graves, e não podemos tratá-los à ligeira.
Mas Davi cometeu outro pecado que inclusive teve maiores consequências. Devido ao adultério de Davi, morreram quatro pessoas: Urias; o menino que nasceu; Amnom e Absalão.
Mas devido ao outro pecado de Davi, morreram 70.000 pessoas!
Quando Davi confessou seus pecados de adultério e de assassinato, disse: "pequei". Mas quando confessou esse outro pecado, disse: "pequei gravemente". Qual foi o outro pecado de Davi? E que papel desempenhou nele Satanás?
1. O objetivo de Satanás: sua vontade
1. A meta de Satanás é sempre chegar à sua vontade e dominá-la.
a) Pode começar enganando à sua mente, como fez com Eva, ou atacando o corpo, como no caso de Jó; mas, em última instância, deve alcançar a vontade.
b) Entretanto, no caso de Davi, Satanás evitou sua mente e seu corpo, concentrando sua estratégia em um demolidor ataque surpresa contra sua vontade, e assim vencendo.
2. Jamais devemos subestimar a importância da vontade na vida cristã.
a) Há muitos crentes que têm uma religião intelectual que satisfaz a mente mas não transforma a vida.
b) Uma religião emocional, que se compõe de sentimentos cambiantes. A menos que se encontrem em um bom momento emocional, sentem que Deus lhes abandonou.
c) Mas Deus quer que todo nosso ser interior esteja entregue a Ele: uma mente inteligente, um coração fervente e uma vontade obediente. Nossa obediência deveria ser inteligente, e estar motivada por um coração quente e amoroso.
2.1. A vida cristã é basicamente uma questão de vontade.  Temos que amar ao Senhor com todo nosso coração (nossas emoções), nossa mente (o intelecto) e nossas forças (a vontade).
2.2. Sua vontade é importante porque ajuda a determinar seu caráter. As decisões moldam o caráter, e são as que marcam a pauta em sua vida. O que dirigi nossa vida é a vontade.
2.2. Muitos cristãos acreditam que o amor cristão é um sentimento. Não o é: é uma vontade. Nos ordena que nos amemos uns aos outros, e Deus não pode dar ordens a seus sentimentos. Mas tem todo o direito a ordenar a nossa vontade. O amor cristão significa, simplesmente, que tratemos a outros como Deus nos trata, e isto implica a nossa vontade.
3. O pecado original de Satanás também teve que ver com a vontade. Em Isaías 14:12-14 Satanás usa cinco vezes  os verbos que indicam vontade, em tempo futuro. E agora tenta duplicar esse pecado em nossa vida, e o conseguirá se não tomarmos cuidado.
4. Satanás é "o príncipe deste mundo", e você e eu somos estrangeiros rebeldes que vivemos em seu território. Dado que somos cidadãos do céu, obedecemos as leis celestiais e submetemos a um Senhor celestial. Satanás deseja que lhe adoremos e o sirvamos, quer que nossa vontade esteja submetida à sua. Que arma utiliza para nos tentar?
2. A arma de Satanás: o orgulho
1. Davi se sentiu importante quando Satanás lhe aproximou com a sugestão de que recenseasse ao povo. Em 1 Crônicas 20 nos fala de certo número de grandes vitórias, incluindo a captura de uma valiosa coroa que foi colocada sobre a cabeça de Davi. Este rei conseguiu muitas vitórias, mas perdeu a guerra, porque Satanás utilizou essas vitórias para inflar o ego de Davi e lhe levar a rebelar-se contra Deus.
2. O adultério de Davi com o Bate-Seba foi um pecado da carne. Mas, quando decidiu recensear ao povo, seu pecado foi espiritual.  2 Co. 7: 1
a) Os crentes não deveriam cair em pecados da carne nem do espírito.
- O filho pródigo do Lucas 15 era culpado de pecados da carne, mas seu irmão mais velho - orgulhoso, crítico e inexorável -, era culpado de pecados espirituais.
- Vale a pena ter em conta que o pecado de Davi, o de recensear ao povo, deu como resultado a morte de 70.000 pessoas. Seu pecado de adultério provocou a morte de quatro.
b) As Igrejas locais são muito rápidas em julgar e condenar aos que caem em pecados da carne, mas não tanto em julgar e disciplinar aos membros que são culpados de pecados do espírito: orgulho, falação, ciúmes, competência, jactância em relação aos resultados, etc.
3. Até certo ponto, o orgulho forma parte de todas as tentações de Satanás. Parte de sua oferta a Eva foi a de "Serão como Deus!" Jó teve que escutar as críticas de seus amigos, e se perguntava por que Deus não aparecia para lhe justificar. Quando Satanás tentou o nosso Senhor, tentou apelar ao orgulho humano. Mt.4:8-9.
4. Este é um dos perigos dos grandes êxitos. Aqueles aos quais foi concedido muito têm que lutar intensamente contra o orgulho. O orgulho glorifica ao homem e arrebata de Deus a glória que só a Ele merece. O orgulho é uma arma que Satanás dirige com grande habilidade. 1 Pe. 5:5-6
5. O que era tão mau no fato de que Davi recenseasse ao povo? Êxodo 30:11-16.
a) Quando Davi recenseou o povo, o fez para sua própria glória, não para a de Deus. Não se menciona absolutamente que fizesse compilar o "dinheiro de resgate".
b) O que motivou o censo foi "a palavra do rei", e não a de Deus; e inclusive rechaçou a ordem do rei. O que motivou as ações de Davi foi seu orgulho.
c) Satanás se apropriou da vontade do rei, inflou seu ego e o levou a pecar. Satanás sabia que Davi se sentia vitorioso e importante, e se aproveitou disto. Isto explica por que Paulo admoestou à igreja primitiva que não colocasse os novos crentes em lugares de liderança espiritual. 1 Tm. 3:6; 3 Jo. 9; 1 Tm. 6:3-5
d) O desejo de Satanás é trabalhar dentro da igreja local, pondo obstáculos no seu ministério; e, para conseguir este objetivo, deve trabalhar através dos cristãos que formam parte dessa comunidade. O orgulho é uma de suas armas principais. Se for capaz de conseguir que um pastor se orgulhe de suas pregações, um professor de escola dominical do crescimento espiritual de seus alunos, ou um diácono de sua experiência e liderança, então o diabo terá um ponto de apoio para lançar seus ataques. O rei Davi conduziu à morte e tristeza ao Israel unicamente por ser orgulhoso.
3. O propósito de Satanás: lhe fazer independente da vontade de Deus
1. O homem é uma criatura dependente. Deve depender de Deus ("porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos", At. 17:28) e de seu próximo para manter-se com vida. A essência do pecado consiste em tentar independer-se de Deus, é a de nos fazer criadores em lugar de criaturas (Rm. 1:25); implica acreditar na mentira de Satanás, "serão como Deus". Se o diabo conseguir que você atue e pense independentemente da vontade divina, então poderá controlar sua vontade e sua vida. Você pensará que está atuando livremente, o qual forma parte do engano de Satanás, mas na realidade atuará sob as ordens do príncipe deste mundo.
2. Cada vez que atuamos em desobediência a essa vontade divina, manifestamos orgulho e independência. Mas tudo o que acontece em nossa vida é importante para Deus. Em sua Palavra achamos preceitos, princípios e promessas que nos guiam quando procuramos sua vontade.
3. Davi não era culpado dos "desejos dos olhos" (como quando olhou a Bate-Seba), ou "os desejos da carne" (como quando cometeu adultério com ela); mas era culpado de "a vangloria da vida" (veja 1Jo. 2: 15-17). O orgulho significa que atuemos independentemente de Deus ou, pior ainda, que tentemos utilizar a Deus para conseguir nossos propósitos egoístas. Deus se converte em nosso escravo celestial, e lhe dizemos o que deve fazer!
4. Quando nos rebelamos contra Deus, e atuamos por nossa conta, não podemos esperar que venha correndo  nos resgatar. Deus, em sua graça, perdoa nossos pecados, mas Deus, em seu governo, permite que o pecado siga seu curso e produza seus resultados naturais. Não há forma de evitar o fato de que colhemos o que semeamos.
5. Quanto mais alta é a posição espiritual em que se encontre uma pessoa, mais afetarão seus pecados a outras pessoas. O adultério de Davi afetou a sua família e, até certo ponto, à nação, mas o seu censo do povo deu pé a uma verdadeira crise nacional.
6. Uma das lições mais importantes que deve aprender o crente é que não pode independer-se de Deus. Necessita da provisão divina para lhe sustentar fisicamente, e necessita da vontade e da Palavra divina para fazê-lo espiritualmente. 2 Cr. 26:15-16; Dt. 6:10, 12; 2 Co. 12:10.
7. Tome cuidado quando pensar que já chegou! Cuidado quando pensar que você é muito importante, que Deus não poderia se arrumar sem você! Cuidado quando começar a arrebatar a Deus a glória que só pertence a Ele!
Qual é sua defesa?
4. Sua defesa: o Espírito de Deus que mora em você
1. O orgulho é uma arma tão poderosa, e Satanás um inimigo tão forte, que só um poder superior nos poderá conceder a vitória. Esse poder provém do Espírito Santo de Deus. Fl. 2:12-13
a) Só Deus Espírito Santo, agindo em você, é capaz de lhe controlar e lhe capacitar para agradar a Deus Pai.
b) "Ocupar-se na salvação" não quer dizer "ocupar-se para salvar-se". A salvação é um presente, comprado pelo sangue de Cristo. "nos ocupar" em nossa própria salvação significa completar a carreira que é a vida cristã, alcançar em caráter e conduta o que Deus planejou para nós.  O termo grego significa "seguir adiante para a meta, levar até a conclusão final". Deus tem um plano específico para cada vida, e devemos cooperar com Ele para cumpri-lo.
Segundo Efesios 2:8-10, na vida cristã há três "obras":
- A primeira obra que menciona Paulo é a salvação: a obra que Deus faz por nós. Jesus Cristo completou esta obra na cruz. Jo. 17:4; Jo. 19:30; Hb. 10:12.
- A segunda obra é a santificação: a obra que Deus faz em nós. A salvação é sozinha o princípio; deve ir seguida de um crescimento e desenvolvimento espiritual. 2 P. 3: 18.
- A terceira obra: o serviço, a obra que Deus faz por meio de nós. Deus age em nós para poder atuar por meio de nós, conseguindo assim os objetivos que dispôs para nós. Não é necessário que inventemos coisas para fazermos à Deus: Ele já tem um plano perfeito para nossa vida e obras específicas que quer que levemos a cabo para sua glória.
2. Como age Deus em nós? Por meio de seu Espírito Santo. Mas, o que devemos fazer para permitir que o Espírito aja em nós? A resposta a esta pergunta a achamos em dois dos versículos mais conhecidos da Bíblia, Romanos 12:1-2.
a) O Espírito Santo pode agir em seu corpo quando você se submete a Ele, junto com sua mente e sua vontade. Mas estas são precisamente as áreas que Satanás deseja atacar! Quer atacar seu corpo com o sofrimento, para fazer que o impaciente a vontade de Deus. Quer atacar sua mente com mentiras, para lhe fazer ignorante da vontade divina. E quer atacar sua vontade com o orgulho, para lhe fazer independente dessa vontade.
3. Recorde: na batalha contra Satanás, a única forma de vencer é rendendo-se, mas rendendo-se a Deus. Tg. 4:6-7
a) O verbo "apresentem" em Romanos 12:1 tem o significado de "entregar de uma vez e para sempre". Ao se levantar da cama entregue seu corpo a Deus como instrumento para ele.
b) O seguinte passo é o de tomar sua Bíblia e apresentar sua mente a Deus, para que a renove. O que renova e transforma a mente é a Palavra de Deus.
c) Uma vez que tenha entregue a Deus seu corpo (e tenha saído da cama) e sua mente (meditando na Palavra de Deus), o seguinte passo é lhe entregar sua vontade, e isto se faz mediante a oração. A Palavra de Deus e a oração sempre vão juntas. Se você se limitar a ler a Palavra, sem orar, terá luz sem calor; mas se ora sem ler a Palavra, correrá o perigo de converter-se em um fanático. At. 6:4; Jo. 15:7
4. Quando tiver dado estes três passos, entregou-se totalmente ao Senhor: corpo, mente e vontade. O Espírito de Deus poderá atuar em você e lhe conceder a vitória. O Espírito Santo utiliza a Palavra. 1 Ts. 2: 13; Ef. 3:20.
5. Quando o Espírito de Deus age em nós, produz humildade, não orgulho.  
a) A humildade não consiste em ter um conceito pobre de nós mesmos.
- O exemplo de Moisés. Era isto humildade por parte de Moisés? É obvio que não! Era orgulho; de fato, era o pior tipo de orgulho: a falsa modéstia. A pessoa que é verdadeiramente humilde tem estas características: (1) conhece-se si mesmo; (2) aceita-se a si mesmo; (3) entrega-se a Deus; (4) tenta melhorar para servir melhor a Deus.
b) O homem humilde se dá conta de que tudo provém de Deus, a quem deve devolver-lhe.  João o Batista disse: Jo. 3:27. E Paulo ecoou desta verdade: 1 Co. 4:7
- nos gabar de nossos dons é pecado, porque foi Deus que nos concedeu de modo que não podemos nos apropriar do mérito.
- Mas negar nossos dons também é um pecado. Devemos aceitar nossos dons e afirmá-los para glória de Deus.
6. Lembre-se, Satanás pode utilizar as coisas espirituais para fazer que você se sinta orgulhoso: sua habilidade para ensinar ou pregar a Palavra; sua vida de oração; seu êxito na hora de dar testemunho e ganhar almas.
Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará. - - Tg.4:10


Fonte: Adaptado do livro “As estratégias de Satanás”, de Warren W. Wiersbe.

COMO ERAM AS MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO E NO NOVO TESTAMENTO?

O Evangelho de João relata uma passagem da vida de Jesus que leva algumas pessoas a entender que o Espírito Santo não agia entre o povo d...