terça-feira, 18 de agosto de 2015

PERIGOSAS ATRAÇÕES


Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo.
E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim.
E dizia isto, significando de que morte havia de morrer.
João 12:31-33


Recentemente fui surpreendido com uma afirmação paradoxal de uma adolescente: - “Eu não vou para a igreja da minha vô porque lá não tem nenhum atrativo?”. Curioso, perguntei a mãe da adolescente o que ela entendia por “nenhum atrativo”.  Ao que ela me respondeu que a aludida igreja não tinha entretenimento para os jovens. Esse pequeno episódio me fez lembrar as palavras de Jesus citadas acima “e eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim”. De pronto, assomou a seguinte pergunta a minha cachola: o que tem atraído as pessoas a Cristo (ou à igreja)?

O parêntese acima (ou à igreja) não é por acaso. Ele procura assinalar os paradoxos provocados pela utilização de técnicas de crescimento emprestadas do mundo. Não é minha pretensão apresentar um inventário dessas técnicas, outros já o fizeram[1]. O que procuro apontar são os problemas eclesiológicos que essas técnicas acabam por colocar. O que é a igreja?  Qual a relação da igreja com o mundo? A quem ela pertence? Como ela pode alcançar os perdidos? 

A palavra paradoxo, segundo o dicionarista Aurélio, significa “pensamento, proposição ou argumento que contraria os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano, ou desafia a opinião consabida, a crença ordinária e compartilhada pela maioria”. Neste caso, portanto, a utilização dessas técnicas acaba por solapar as bases doutrinárias da própria igreja, que precisaria rever suas mais cristalizadas doutrinas, para “atualizar” a Bíblia ao contexto atual. Aqui é oportuno citar as palavras de Paul Washer, proferidas num pequeno vídeo disponível no site voltemosaoevangelho.com, cujo título é "igrejas e as técnicas carnais", onde ele afirma que “se você usa meios carnais para atrair pessoas para a igreja, você ira atrair pessoas carnais e terá que continuar usando meios carnais maiores ainda para mantê-los na igreja. Que meios você está usando?”

Buscando responder a essa indagação, vamos fazer uma breve incursão no texto acima, que é esclarecedor sobre essa temática. D. A Carson (2007, p. 442), diz que podemos discernir cinco ênfases nesta passagem, todas ligadas com a paixão/glorificação de Cristo, contexto imediato da passagem:

A primeira ênfase versa sobre o julgamento deste mundo – “agora é o juízo deste mundo”. Hendriksen (2014, p. 574) diz que o mundo se viu vitorioso ao crucificar Jesus, mas não se “deu conta de que, exatamente por meio dessa ação, ele condenou a si mesmo”. O mundo, aqui, são todos aqueles que estão em rebelião contra seu Criador, se opondo a ele e transgredindo suas leis. O julgamento do mundo se dá em função dessa rebelião, que não pode ser tolerada por Deus. Carson (2007, p. 442) acrescenta que “a paixão/glorificação de Jesus significa julgamento tanto positiva quanto negativamente”. Positivamente, porque ali está sendo revelado o amor de Deus por nós da maneira mais intensa; negativamente, porque ali está sendo revelada a mais obscura e cruel face do pecado e dos pecadores. Quando o mundo rejeita o Filho de Deus está fechando a única porta de esperança e salvação possível, está julgando-se, e proferindo a sua própria sentença (Jo 3. 18-21).

A segunda ênfase está relacionada com o julgamento de Satanás – “agora será expulso o príncipe deste mundo”. Da mesma forma que a crucificação parece ser a vitória do mundo sobre Jesus, o mesmo se aplica a Satanás. Aquilo que é para ele considerado o instrumento do triunfo, a cruz, para Cristo é a mais eloquente declaração de vitória. Como diz Hendriksen (2014, p. 574):

Então, por meio da morte de Cristo, o poder de Satanás sobre as nações do mundo é quebrado. Durante a antiga dispensação, essas nações estiveram sob a escravidão de Satanás (embora, naturalmente, nunca no sentido absoluto do termo). Com a vinda de Cristo, ocorre uma mudança tremenda. No Pentecostes e depois dele, começamos a ver a reunião da Igreja entre todas as nações do mundo (cf. Ap 20.3).

  A terceira ênfase está relacionada com a paixão/glorificação – “E eu, quando for levantado da terra”. O termo “levantado” é ambíguo, pois é possível lê-lo de duas maneiras. Em primeiro lugar, "levantado" remete à crucificação no monte chamado Caveira, a elevação da própria cruz, mas, em segundo lugar, também remete à exaltação de Jesus após a sua ressurreição e retorno ao céu. João, no verso 33, esclarece que Jesus “dizia isto, significando de que morte havia de morrer”, ou seja, a cruz. Segundo Carson (2007, p. 443) “a morte de Jesus é o caminho para sua glorificação, na verdade, uma parte integral dela. Sua glorificação não é uma recompensa ou prêmio por sua crucificação; ela é inerente a sua crucificação” (Fl 2.5-11). A humilhação mais crassa é o caminho, para o Cristo, da mais gloriosa exaltação.
    A quarta ênfase está relacionada com a atração provocada pela paixão/glorificação de Jesus – “todos atrairei a mim”. Conforme indica o contexto, “todos” se refere aos gregos que queriam ver Jesus e aos judeus, que ali estavam também. Trocando por miúdos, significa dizer que a morte de Cristo atrairia as nações da terra a Ele (Sl 2). A atração diz respeito a Ele mesmo, e não a cruz. A Ele mesmo quer dizer a união perfeita que gozam aqueles que foram enxertados na videira verdadeira. Sobre a forma e o meio da atração, Hendriksen (2014, p. 574) arremata de forma esclarecedora que:

Por meio de sua crucificação, ressurreição, ascensão e coroação, Jesus atraiu a si mesmo (isto é, à fé eterna nele mesmo) todos os eleitos de Deus de todos os tempos, regiões e nações. Ele os atraiu por meio de sua Palavra e de seu Espírito. Essa atividade do Espírito é a recompensa por haver o Filho sido levantado.

      A quinta ênfase está relacionada à natureza escatológica desses eventos. Todos esses eventos parecem remeter apenas ao final dos tempos, como a leitura do Apocalipse dá a entender, quando fala do juízo final. No entanto, o fim dos tempos já começou. Como diz Carson “não é que não esteja reservado para a consumação; antes, significa que o passo decisivo está para ser dado na morte/exaltação de Jesus” (2007, p. 444).

      Gostaria de encerrar lembrando que o poder de atração da igreja não está nos seus métodos ou técnicas de crescimento. Não está na eloquência do pregador. O poder de atração da igreja está na paixão/exaltação de Jesus e nas consequências que ela promoveu. Ao subir ao céu Jesus mandou o Outro Consolador, o Espirito Santo, para dar testemunho do Filho perante o mundo. É Ele que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo, pela instrumentalização da Palavra de Deus. Portanto, o melhor atrativo da igreja é o Seu fundador – Jesus Cristo.

Referências Bibliográficas


CARSON, D. A. O comentário de João. São Paulo: Shedd Publicações, 2007.

HENDRIKSEN, William. O Evangelho de João. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.


O IMPERATIVO DA UNIDADE CRISTÃ


Rev. Hernandes Dias Lopes
O apóstolo Paulo está preso e algemado na antessala do martírio, mas sua atenção não está voltada para si mesmo. Havia alegria em seu coração (Fp 4.4,10), mas sua medida ainda não estava cheia. Um grau mais elevado de unidade, de humildade e de solicitude em família podia completar o que ainda faltava no cálice da alegria de Paulo. Seu principal anseio não era a rápida libertação da prisão, mas o progresso espiritual dos filipenses. Sua alegria, não vem de suas condições pessoais, mas da condição da igreja de Deus. Mesmo preso, Paulo diz que a igreja de Filipos era sua alegria e coroa (Fp 4.1). Suas orações em favor dos cristãos filipenses eram orações alegres (Fp 1.4). Mas, agora, o apóstolo deseja que o cálice da sua alegria transborde e por isso ordena: “Completai a minha alegria, de modo que penseis a mesma cousa, tenhais o mesmo amor, sejais unidos de alma, tendo o mesmo sentimento” (Fp 2.2). Paulo não pode estar alegre enquanto o espírito de facção existir nessa generosa igreja de Filipos. Paulo exorta aqueles irmãos para que tenham unanimidade de coração. Não se trata da unanimidade formal que se consegue manter mediante o poder de veto; trata-se daquela unanimidade sincera de propósitos, pela qual ninguém deseja impor um veto sobre as pessoas.
Aquela mesma igreja que estava comprometida com Paulo no apoio missionário, dando-lhe conforto e sustento financeiro, estava sendo ameaçada por divisões internas e isso estava toldando a alegria no coração do velho apóstolo.
Como a igreja poderia completar a alegria de Paulo?
1. Demonstrando unidade de pensamento (Fp 2.2). A unidade de pensamento não é uma coisa fácil de alcançar, especialmente onde as pessoas têm uma mente ativa e um espírito independente. O verbo grego phronein usado aqui para definir “o pensar a mesma coisa” aparece nesta carta dez vezes, enquanto aparece apenas mais treze vezes em todas as demais epístolas. Usando a palavra phronein, Paulo não tem em vista o “pensamento” teórico do teólogo, mas o pensar prático, subordinado ao querer. Aqui se trata do “pensamento” que conduziu o Filho de Deus do trono da glória para a vergonha da morte na cruz! Se todos “pensarem” da maneira como Jesus Cristo também pensou, como ele morreu por pecadores, não poderão se separar; hão de apegar-se aos irmãos. Fica claro que a palavra phronein traduzida aqui por “mente” denota não uma capacidade intelectual, mas uma ação e uma atitude moral. Obviamente, “ter uma só mente” não significa que os crentes têm que concordar em tudo; em vez disso, cada crente deve ter a mesma atitude de Cristo (Fp 2.5).
2. Demonstrando unidade nos relacionamentos (Fp 2.2). Os irmãos da igreja de Filipos precisam ter o mesmo amor uns pelos outros, igual ao que Cristo tem por eles. O amor de Cristo o trouxe do céu para a humilde condição da natureza humana, para morrer na cruz em favor dos pecadores. Muito embora os crentes não podem fazer o que Cristo fez, eles podem seguir seu exemplo, quando expressam o mesmo amor na maneira de lidar uns com os outros.
3. Demonstrando unidade espiritual (Fp 2.2). A igreja precisa ser unida de alma. Jesus orou para que todos aqueles que creem possam ser um como ele e o Pai são um (Jo 17.22-24). Essa frase significa dois corações batendo como se fosse um só. Na igreja de Deus não há espaço para disputas pessoais. A igreja não é um concurso de projeção pessoal nem um campeonato de desempenhos pessoais. A igreja é um corpo onde cada membro coopera com o outro, visando a edificação de todos.
4. Demonstrando unidade de sentimento (Fp 2.2). A igreja precisa ter o mesmo sentimento. A igreja é como um coro que deve cantar no mesmo tom. Os crentes não são competidores, mas cooperadores. Eles não são rivais, mas parceiros. Eles não estão lutando por causas pessoais, mas todos estão buscando a glória de Deus.

FONTE: http://ipbvit.org.br/2015/08/15/o-imperativo-da-unidade-crista/

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

OS PERIGOS QUE AMEAÇAM A UNIDADE DA IGREJA


Ao escrever sua epístola aos Filipenses, Paulo mencionou o exemplo negativo de alguns crentes de Roma que estavam trabalhando com a motivação errada (Fp 1.15,17). Isso, certamente, enfraquecia a unidade da igreja. Agora, Paulo fala sobre dois perigos que conspiram contra a unidade da igreja. Que perigos são esses?
Em primeiro lugar, o partidarismo (Fp 2.3). A igreja de Filipos tinha muitas virtudes, a ponto de Paulo considerá-la sua alegria e coroa (Fp 4.1). Mas esta igreja estava ameaçada por alguns sérios perigos na área da unidade. Havia tensões dentro da igreja. A comunhão estava sendo atacada. A palavra grega eritheia traduzida por “partidarismo” é resultado de egoísmo. Depois de Paulo mencionar a atitude mesquinha de alguns crentes de Roma que, movidos por inveja pregavam a Cristo para despertar ciúmes nele, pensando que o seu trabalho apostólico era uma espécie de campeonato em busca de prestígio, volta, agora, suas baterias para apontar os perigos que estavam afetando, também, a unidade na igreja de Filipos. Que perigos?
   O perigo de trabalhar sem unidade (Fp 1.27). Nada debilita mais a unidade da igreja do que os crentes estarem engajados no serviço de Deus sem unidade. A obra de Deus não pode avançar quando cada um puxa para um lado, quando cada um busca mais seus interesses do que a glória de Cristo. Na igreja de Filipos havia ações desordenadas. Eles estavam todos lutando pelo Evangelho, mas não juntos.
O perigo de líderes buscarem seus próprios interesses (Fp 2.21). Paulo ao enviar Timóteo à igreja de Filipos e dar bom testemunho acerca dele, denuncia, ao mesmo tempo, alguns líderes que buscavam seus próprios interesses. Esses líderes eram amantes dos holofotes; não buscavam a glória de Deus nem a edificação da igreja, mas a construção de monumentos aos seus próprios nomes.
O perigo do mundanismo na igreja (Fp 3.17-19). A unidade da igreja de Filipos estava sendo ameaçada por homens mundanos, libertinos e imorais. Essas pessoas fizeram Paulo sofrer de tal modo, que o levaram às lágrimas (Fp 3.18). Paulo os chama de inimigos da cruz de Cristo (Fp 3.18). Essas pessoas eram mundanas, pois só se preocupavam com as coisas terrenas (Fp 3.19). Eram comilões, beberrões e imorais, com uma visão muito liberal da fé cristã, do tipo que está sempre dizendo: “isso não é pecado, não tem problema”. Em vez de a igreja seguir a vida escandalosa desses libertinos, deveria imitar o seu exemplo (Fp 2.17).
O perigo dos crentes viverem em conflito dentro da igreja (Fp 4.2). Aqui o apóstolo está trabalhando com a questão do conflito entre lideranças da igreja local, pessoas que disputam entre si a atenção e os espaços de atuação na igreja. Quando o trabalho era dirigido pela família de Evódia, possivelmente o pessoal de Síntique não participava, e quando era promovido por Síntique quem não participava era o pessoal.
Em segundo lugar, a vanglória ou o egoísmo (Fp 2.3). Vanglória é buscar glória para si mesmo. A palavra grega kenodoxia traduzida por “vanglória” só aparece aqui em todo o Novo Testamento. Ela denota uma inclinação orgulhosa que busca tomar o lugar de Deus, e a estabelecer como um status auto-assertivo que rapidamente induz ao desprezo do próximo (Gl 5.26). A vanglória destrói a verdadeira vida comunitária. Paulo colocou seu “dedo investigativo” bem na ferida dos filipenses. Os membros da igreja de Filipos estavam causando discórdia por causa de suas atitudes ou ações. Eles desejavam reconhecimento ou distinção, não por puros motivos, mas meramente por ambição pessoal. Eles estavam criando partidos baseados em prestígio pessoal, ao mesmo tempo em que desprezavam os outros.

Rev. Hernandes Dias Lopes



segunda-feira, 10 de agosto de 2015

VENCENDO AS TENTAÇÕES



Rev. Arival Dias Casimiro

Bem vindo à experiência da tentação. Ela faz parte da vida normal de um verdadeiro discípulo de Jesus. A tentação é uma prova de nossa filiação divina e da nossa íntima relação com Deus. O próprio Jesus foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas ele não pecou (Hb 4.15; Mt 4.1-11). Precisamos aprender as estratégias bíblicas para vencermos as  tentações:

1. O QUE É UMA TENTAÇÃO

Tentação é uma sugestão interna ou externa que vem sobre o crente, com o objetivo de prejudicar o seu relacionamento espiritual com Deus. Trata-se de uma proposta para a satisfação dos seus desejos de maneira que ofenda a Deus. A tentação é uma oportunidade de realizar algo bom de maneira errada, fora da vontade de Deus. Por exemplo, o sexo é algo que Deus criou para o nosso prazer, mas somos tentados a praticá-lo em desacordo com a orientação de Deus.
A diferença fundamental entre a provação e a tentação está na sua origem e objetivo. A provação procede de Deus e visa o amadurecimento do crente (Tg 1.2-4). A tentação brota da nossa natureza pecaminosa, de Satanás e do mundo, e o seu objetivo é prejudicar o nosso relacionamento com Deus.
A tentação em si não é pecado, mas uma proposta para o pecado. Jesus foi tentado em todas as coisas, mas não pecou, e está pronto a socorrer os que a sofrem (Hb 2.18; 4.15). Pelo fato de estarmos em comunhão com Deus, somos tentados a pecar. Mas, com a ajuda de Deus, podemos vencer a tentação (1Co 10.13).  Jesus intercede por nós quando estamos sob tentação (Lc 22.31-32;  Jo 17.15)

2. AS FONTES DA TENTAÇÃO.

A Bíblia nos ensina que as tentações nos vêm de três fontes principais:
- Nossa natureza pecadora (carne) - Mt 26.41; Rm 6.19; Rm 7.5,18,25; Gl 5.13; Ef 2.3; Gl 5.17
- Sociedade sem Deus (mundo) - 1Jo 2.15; Rm 12.2; Tg 4.4; 1Tm 6.10
- Satanás ou o Diabo (espiritual) - Ef 6.10-12; Tg 4.7 - 1Ts 3.5; Ef 6.10-12; 1Cr 21.1; 2 Co 2.11; Tg 4.7; 1Pe 5.9

3. AS ESTRATÉGIAS PARA VENCER A TENTAÇÃO.

A tentação é permitida por Deus ao crente com o objetivo de testa-lo e aprova-lo. Ela pode ser vencida com os recursos que Deus nos fornece. Podemos obter vitória sobre as tentações com as seguintes estratégias:
- Vigilância e oração - Mt 26.41; Mt 6.13; Rm 14.13
- Enfrente a tentação com a Palavra de Deus - Mt 4.1-11; Sl 119.11; Hb 4.12-13
- Fuja da tentação pelo escape que Deus lhe dá - 1Co 10.13
- Evite os caminhos da tentação – 2 Tm 2.22; Rm 13.14; Pv 4.14-15
- Busque a plenitude do Espírito - Ef 5.18; Ef 6.10-20

CONCLUSÃO


Ser tentado não é uma opção do crente, mas uma realidade que precisa ser enfrentada na vida espiritual. Para vencermos as tentações precisamos utilizar os recursos espirituais que Deus nos disponibiliza. Não confie em si mesmo. Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia (1Co 10.12).

terça-feira, 28 de julho de 2015

Como lidar com nossos próprios fracassos espirituais?


Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.
E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. 1 João 2:1,2

Como lidar com nossos próprios fracassos espirituais? Ou, se você quiser, o que fazer quando pecamos? Pergunta difícil. Objeto de acalorados debates e discussões por parte dos doutores da teologia, abordada em páginas e páginas de rebuscadas argumentações. Leia, caro leitor, uma obra de história do pensamento cristão para tirar suas conclusões. A intenção deste texto é menos pretensiosa, gostaria apenas de mostrar o que João nos diz sobre esse assunto na sua primeira epístola, mas especificamente em I Jo 2.1,2. 

Como aconteceu em quase todas as cartas do Novo Testamento, uma heresia (ou várias) estava ameaçando os crentes, provavelmente da Ásia (LOPES, 2004, p. 11). A heresia era uma espécie de proto-gnosticismo, que enfatizava que o espírito é totalmente bom e a matéria totalmente má - dualismo. Além disso, ensinavam que a salvação se dá por meio de um conhecimento esotérico – a gnose – que somente os iniciados possuem. 

As consequências para o cristianismo são obvias. Para a teologia, a negação da plena encarnação e divindade de Jesus, que é visto como um fantasma - docetismo -, pois como a matéria é má Ele não poderia ter um corpo de carne e osso. Para a ortopraxia, o ascetismo e o antinomianismo. Como João dá maior ênfase ao antinomianismo que está sendo ensinado pelos falsos mestres, darei uma breve explicação sobre ele. Em linhas gerais, o antinomianismo significa uma vida sem lei ou regras (LOPES, 2004). Aplicado ao contexto da Epístola, seria dizer que o cristão é livre para fazer o que quiser, que pode dar vasão aos seus instintos mais baixos, pois, onde abundou o pecado, superabundou a graça. Como o corpo é mal, nada do que fazemos por meio dele afeta a alma ou prejudica nossa comunhão com Deus. “O que o corpo faz, a alma perdoa”, como diz a música. João, portanto, fornece alguns critérios para que os irmãos pudessem avaliar a validade dessas doutrinas e viver em verdadeira comunhão com Deus.

Gostaria de destacar que a provisão do Pai para o cristão que peca está em Seu Filho, que possui tríplice qualificação (STOTT, 1982): 

Em primeiro lugar, Sua advocacia celestial. Como ensina Stott (1982, p. 69), a palavra advogado (lat. advocatus e gr. paraklêtos), significa “chamado ao lado de”, e descreve alguém convocado para assistência a outrem. Lopes (2004, p. 47) diz que “aplicada a Cristo, a idéia é que ele fala sobre nós com o Pai, em nossa defesa, e intercede para que sejamos perdoados (Rm 8.34; l Tm 2.5; Hb 7.24,25)”. Embora a comparação remeta-nos à imagem do tribunal, João nos lembra de que a nossa “defesa” não é perante um juiz, mas de um pai. Isso porque a nossa relação com Deus mudou, fomos justificados por Cristo, nenhuma condenação há para aqueles que estão Nele. Portanto, quando Cristo intercede por nós no céu quando pecamos não é a satisfação da justiça que é visada, mas o perdão para o filho que errou (STOTT, 1982). 

Em segundo lugar, Seu caráter justo. Cristo é perfeito, não conheceu pecado. Sua vida foi imaculada, impoluta. Por isso “é mais que evidente que somente por meio de um Salvador justo poderíamos ser purificados “de toda injustiça” (1:9). Cf. 2 Co 5:21 e 1 Pe 3:18” (1982, p. 71).

Sua morte propiciatória. Propiciação é uma palavra tirada da liturgia dos sacrifícios levíticos do Antigo Testamento. Assim como o animal morto nestas cerimonias representava o “pagamento” pelo pecado do transgressor da lei – a alma que pecar, essa morrerá -, o apaziguamento da ira de Deus e sua reconciliação com Ele, da mesma forma a morte de Cristo para o cristão representa substituição, perdão e reconciliação. Como diz Stott (1982, p. 73) “Ele não poderia ser nosso Advogado no céu hoje, se não tivesse morrido para ser a propiciação pelos nossos pecados; e a Sua propiciação não teria sido eficaz, se em Sua vida e caráter não tivesse sido Jesus Cristo, o justo”.

Caro irmão, fuja da autoindulgência, a provisão de Deus não deve nos encorajar ao pecado, mas fuja também da severidade exagerada consigo, recusando a provisão de Deus para sua vida. “Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis”, essa é a intenção de João para as suas ovelhas – e também a de Jesus, quando disse à mulher pecadora “vai e não peques mais” -, mas sabemos que acidentes acontecem e para essas circunstancias é que João nos lembra que temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo.


Referências Bibliográficas

STOTT, John. As epístolas de João: introdução e comentário. São Paulo: Edições Vida Nova e Editora Mundo Cristão, 1982. 

LOPES, Augustus Nicodemus. Interpretando o Novo Testamento: primeira carta de João. São Paulo: Cultura Cristã, 2004.

As bíblias citadas foram consultadas no site: www.bibliaonline.com.br. Acesso em: 28 jul 2015.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Vocação ou Profissão?

Por Arival Dias Casemiro

Na Igreja Evangélica hoje, o pastorado está se secularizando, ou seja, deixando de ser um ofício sacerdotal para ser uma profissão. Entende-se a secularização dos pastorado como o processo de ser, de se formar e de se exercer o pastorado não segundo o modelo bíblico, mas no modelo da sociedade sem Deus. O que seleciona o candidato ao ministério hoje, não é mais a comprovação de um chamado de Deus, mas um vestibular. Quem forma o pastor não é mais a Igreja, mas a Faculdade de Teologia por meio Mestres e Doutores sem experiência pastoral. O pastor troca de Igreja hoje como se estivesse trocando de emprego. Cada vez mais o sacerdócio pastoral tem sido desvalorizado. O ser pastor, segundo a Bíblia, é uma vocação divina que envolve chamado para o ofício e para o campo de trabalho. O apóstolo Paulo declara: "Porém em nada considero a
vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério
que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus" (Atos 20.24). E o Espírito Santo diz: "Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra que os
tenho chamado" (At 13.2). Nesses dois versículos, a Bíblia mostra que a prioridade do verdadeiro ministro é cumprir o ministério que recebeu do Senhor, trabalhando sempre no local para onde o Senhor o enviar. A grande conseqüência para a Igreja é que, com a secularização do pastorado, ela forma muitos teólogos, mas se ressente da falta de pastores. É fato incontestável que há hoje muitos pastores sem campo na Igreja Presbiteriana do Brasil, e os seminários continuam fabricando teólogos em série como numa linha de produção industrial. Há também várias Igrejas que tiveram experiências pastorais traumáticas, precisando de pastores, mas não desejam absorver essa mão de obra excedente. Como resolver este problema à luz da afirmação de Jesus de que a seara, na verdade é grande, mas os
trabalhadores são poucos? Se os trabalhadores são poucos e a seara é grande, como explicar o excesso de pastores e de seminários ou faculdades de teologia? Se a seara é grande e há sobra de trabalhadores, será que a igreja não é omissa na sua tarefa missionária? Será que não precisamos fechar seminários? O profeta Jeremias afirma que uma das maneiras de Deus castigar o seu povo é dando-lhe uma liderança não vocacionada. Então ele diz: "Convertei-vos, ó filhos
rebeldes, diz o SENHOR; porque eu sou o vosso esposo e vos tomarei, um de cada cidade
e dois de cada família, e vos levarei a Sião. Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração,
que vos apascentem com conhecimento e com inteligência" (Jr 3.14-15). Pastores segundo o coração de Deus, que apascentem o rebanho de Cristo hoje, é uma grande necessidade. Faz-se necessário que a Igreja encare a escolha dos seus pastores nesta perspectiva sobrenatural, por meio da oração, como uma dádiva de Deus e não, meramente, na perspectiva secularizada da contratação de um novo funcionário. Entendo que o pastor, segundo o coração de Deus, apascentará qualquer rebanho local, com sucesso (conhecimento e inteligência), dedicando-se a três tarefas: oração,
pregação/ensino e visitação. Esse tripé dará sustentação a qualquer pastorado, independente da região ou do contexto onde a Igreja se acha inserida. Toda ovelha precisa da oração do seu pastor, do alimento da palavra preparada pelo seu pastor e do aconselhamento e cuidado por meio da visita do seu pastor. Qualquer plano de formação 8 pastoral, seja em seminário ou faculdade, que não contemplar esse tripé, não formará um pastor com uma filosofia bíblica de ministério. Irmãos, lutemos juntos, contra a secularização do pastorado valorizando os verdadeiros ministros. Peçamos a Deus a benção de pastores segundo o Seu coração.
"Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande trabalhadores para a sua seara", é a ordem de Jesus.

Fonte: CASEMIRO, Arival Dias. Resistindo à secularização. São Paulo: SOCEP, 2002.

A Procura De Algo Mais

Por John MacArthur

Ele é antes de todas as cousas. Nele tudo subsiste.
Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio,o primogênito de entre os mortos, para em todas as cousas ter a primazia.
Colossenses 1.17-18

Porquanto nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade. Também nele estais aperfeiçoados.
Colossenses 2.9-10

Conta-se uma história sobre William Randolph Hearst, o falecido editor jornalístico. Hearst investiu uma fortuna em colecionar grandes obras de arte. Um dia ele leu sobre algumas valiosas obras de arte e decidiu que deveria adicioná-las à sua coleção. Enviou seu agente ao exterior para localizá-las e comprá-las. Meses se passaram antes que o agente voltasse e relatasse a Hearst que os itens haviam finalmente sido achados — eles estavam guardados em seu próprio armazém. Hearst os havia comprado anos atrás!
Isso é análogo ao alarmante número de cristãos que hoje estão numa busca desesperada por recursos espirituais que já possuem. Eles praticam uma busca fútil por algo mais. Esse é um fogo herético em parte abanado pela falsa noção de que a salvação é insuficiente para transformar os crentes e equipá-los para a vida cristã. Aqueles que estão sob a influência desta falsa noção acreditam que precisam de algo mais — mais de Cristo, mais do Espírito Santo, um tipo de experiência de êxtase, visões místicas, sinais, maravilhas, milagres, uma segunda bênção, línguas, níveis espirituais mais elevados ou mais profundos, ou o que quer que seja.
Mas ter Jesus é ter todo recurso espiritual. Tudo que necessitamos se acha nEle. Em vez de tentarmos acrescentar algo a Cristo, devemos simplesmente aprender a usar os recursos que já possuímos nEle.
Em toda a Escritura, talvez o texto mais definitivo sobre a suficiência de Cristo é o livro aos Colossenses. Paulo o escreveu para crentes que eram fortes na fé e no amor (Colossenses 1.4), mas confundidos por uma heresia que negava a suficiência de Cristo. Nosso estudo exige uma observação cuidadosa em algumas porções desse texto-chave.
Não sabemos a exata natureza da heresia em Colossos, porque Paulo não a definiu em detalhes nem gastou tempo nomeando e denunciando seus líderes. Em vez disso, ele a refutou generalizada-mente, mostrando que se baseava num conceito inadequado e errôneo a respeito da pessoa e do trabalho de Cristo. Ele escreveu à igreja de Colossos uma epístola inteira focalizando a Cristo — seu lugar no universo, sua obra na salvação, sua preeminência como Deus, sua posição como Cabeça da igreja e sua absoluta suficiência para toda necessidade humana. Ao fazer isso, Paulo demonstrou que a melhor defesa contra a falsa doutrina é uma cristologia bíblica integral. Ele avisou aos Colossenses que tentar acrescentar ou retirar algo da pessoa e da obra de Cristo sempre termina em desastre espiritual.
No capítulo 1, Paulo escreveu:

Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados. Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois nele foram criadas todas as cousas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as cousas. Nele tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as cousas ter a primazia, porque aprouve a Deus que nele residisse toda a plenitude, e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as cousas, quer sobre a terra, quer nos céus. (vv. 13-20)

O apóstolo faz um profundo sumário quando diz que em Cristo estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (2.3), porque nEle habita corporalmente toda a plenitude da Deidade (2.9). Ele é o Cabeça de todo principado e potestade (2.10). Ele é a própria vida (3.4)! O que mais poderia dizer o apóstolo para asseverar a absoluta suficiência de nosso Senhor?
O erro com o qual Paulo estava lidando tinha muitas facetas. Parece claramente ter sido uma antiga forma de gnosticismo. Os hereges de Colossos alegavam que Cristo sozinho não poderia levantar alguém ao nível espiritual mais alto. Eles defendiam uma variedade de aditivos espirituais, incluindo a filosofia (2.8-10), o legalismo (2.11-17), o misticismo (2.18-19) e o ascetismo (2.20-23).

Cristo + Filosofia

A palavra "filosofia" é a transliteração da palavra grega philosophia, a qual é formada de duas palavras gregas comuns: phileo (amar) e sophia, (sabedoria). Ela literalmente significa "o amor à sabedoria humana". Em seu sentido mais amplo, é a tentativa da parte do homem para explicar a natureza do universo, incluindo os fenômenos de existência, pensamento, ética, comportamento, estética e assim por diante.
No tempo de Paulo, "tudo que tinha a ver com teorias sobre Deus, sobre o mundo e sobre o significado da vida humana se chamava 'filosofia'... não somente nas escolas pagas, mas também nas escolas judaicas das cidades gregas". Josefo, o historiador judeu do primeiro século, acrescenta que havia três correntes filosóficas entre os judeus: a dos fariseus, a dos saduceus e a dos essênios.
Paulo condenou com veemência qualquer teoria filosófica, a respeito de Deus, que professasse mostrar a causa da existência do mundo e oferecer orientação moral à parte da revelação divina. Em Colossenses 2.8-10, ele diz:

Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo: porquanto nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade. Também nele estais aperfeiçoados. Ele é o cabeça de todo principado e potestade.

A frase "venha a enredar" (v.8) vem da palavra grega sylagogeo, que se referia a levar os cativos ou outros despojos da guerra. Nesse sentido, ela transmitia a idéia de um rapto. Ela retrata o modo como a heresia "Cristo + filosofia" estava seqüestrando os colossenses para longe da verdade, levando-os à escravidão do erro. Assim o apóstolo retratou a filosofia como uma predadora que procura escravizar cristãos sem discernimento, por meio de "vãs sutilezas" (v.8).
"Vãs" fala de algo vazio, destituído da verdade, fútil, infrutífero e sem efeito. A filosofia declara ser verdadeira mas é totalmente enganosa, como um pescador que captura sua presa involuntária, ao esconder um anzol mortal dentro de um saboroso bocado de alimento. O peixe pensa que está sendo alimentado quando, em vez disso, torna-se alimento. Igualmente, aqueles que abraçam uma filosofia humana sobre Deus e o homem podem pensar que estão recebendo a verdade, mas, em vez disso, estão recebendo vão engano, que pode levar à condenação eterna.
A filosofia é inútil porque se fundamenta na "tradição dos homens" e nos "rudimentos do mundo" (v.8), e não em Cristo. A "tradição dos homens" se refere às especulações humanas passadas de geração a geração. A maioria dos filósofos amontoam seus ensinamentos sobre a pilha de ensinamentos dos seus predecessores. Um desenvolve um pensamento até tal ponto, depois outro o desenvolve além, e assim vai. Isso é uma série de variações dentro da tradição humana que apenas perpetua o erro e agrava a ignorância.
A frase "rudimentos do mundo" literalmente significa "coisas em coluna" ou "coisas em fila" (tais como 1,2,3, ou A,B,C). Ela se refere ao tipo de instrução que se daria a uma criança. Paulo estava dizendo que, embora intente ser sofisticada, a filosofia humana é de fato rudimentar— infantil e sem refinamento. Abandonar a revelação bíblica em favor da filosofia é como voltar ao jardim da infância após formar-se numa universidade. Mesmo a mais refinada filosofia humana nada pode oferecer para ampliar a verdade de Cristo. Ela impede e retarda a verdadeira sabedoria, produzindo apenas tolice, erro e engano infantis.
Em 1 Coríntios 1.18-21, Paulo diz:

Certamente a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas para nós, que somos salvos, poder de Deus. Pois está escrito:
Destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos entendidos.
Onde está o sábio? onde o escriba? onde o inquiridor deste século?
Porventura não tornou Deus louca a sabedoria do mundo? Visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar aos que crêem, pela loucura da pregação.

A sabedoria humana não pode enriquecer a revelação dada por Deus. De fato, ela inevitavelmente resiste e contradiz a verdade divina. Mesmo o melhor da sabedoria humana é mera tolice em comparação com a infinita sabedoria de Deus.
Os cristãos, de forma nenhuma, precisam se dirigir à sabedoria humana. Eles possuem a mente de Cristo (1 Coríntios 2.16). A grande, perfeita e incompreensível sabedoria de Cristo se revela a nós na Palavra de Deus pelo Espírito Santo. Isso deveria revolver nossos corações e nos fazer declarar juntamente com o salmista:

Quanto amo a tua lei!
É a minha meditação todo o dia.
Os teus mandamentos me fazem mais sábio que os meus inimigos; porque aqueles eu os tenho sempre comigo.
Compreendo mais do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos.
Sou mais entendido que os idosos, porque guardo os teus preceitos.
De todo mau caminho desvio os meus pés, para observar a tua palavra. Não me aparto dos teus juízos, pois tu me ensinas.
Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! mais que o mel à minha boca.
Por meio dos teus preceitos consigo entendimento; por isso detesto todo caminho de falsidade.
(Salmo 119.97-104)

Por que se deixar capturar pela filosofia quando se pode ascender à perfeita verdade de Deus?
Em Colossenses 2.9-10, Paulo traça um significativo paralelo: "Porquanto nele habita corporalmente toda a plenitude da Divindade. Também nele estais aperfeiçoados". "Plenitude" e "aperfeiçoados", nessa passagem, são originadas da mesma palavra grega (plêroma). Assim como Cristo é absolutamente divino, também nós somos totalmente suficientes nEle. A sabedoria humana nada acrescenta ao que já está revelado em Cristo.
Nossa suficiência em Cristo se fundamenta na completa salvação e no completo perdão, os quais Paulo descreve nos versículos 11 a 14. Ele diz que temos passado da morte espiritual para a vida espiritual através do perdão das nossas transgressões (v. 13). No versículo 14, ele traça um quadro vivido desse perdão, dizendo que Cristo "tendo cancelado o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, encravando-o na cruz". Quando alguém era crucificado, a lista de seus crimes era sempre pregada à cruz exatamente acima de sua cabeça. Sua morte era o pagamento por aqueles crimes. Os crimes que pregaram Jesus à cruz não foram os dEle, mas os nossos. Por haver Ele tomado sobre Si a nossa pena, Deus apagou o "escrito de dívida" que era contra nós.
Aos pensamentos de completa salvação e de completo perdão, Paulo acrescenta um terceiro: completa vitória (v. 15). Em sua morte e ressurreição, Cristo triunfou sobre as forças demoníacas, nos concedendo assim vitória contra o próprio maligno.

Em Cristo nós temos completa salvação, completo perdão e completa vitória — amplos recursos para cada questão da vida. Esta é a verdadeira suficiência! O que a filosofia pode acrescentar a isso?

Fonte: MACARTHUR, John. Nossa suficiência em Cristo. São José dos Campos: Editara Fiel, 1995. 

domingo, 26 de julho de 2015

Olha por onde andas

Há caminho que parece certo ao homem, mas no final conduz à morte. (Pv 14.12; 16.25 - NVI)

Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte. (Pv 14.12 – Almeida Corrigida e Revisada Fiel)

Há um caminho que ao homem parece direito, mas no fim guia para a morte. (Pv 14.12 – SBB)

Há caminho que parece reto ao homem; seu fim, porém, é o caminho da morte. (Pv 14.12 – versão Católica)

Por que é tão difícil fazer escolhas? Ou melhor, fazer as escolhas certas, em todas as situações dadas? Quando leio este provérbio sinto-me questionado, inquieto diante do pragmatismo que guia nossas decisões. Geralmente, escolhemos baseados nos afetos, no grau de prazer ou felicidade que algo possa nos proporcionar mediata ou imediatamente, concreta ou imaginariamente, sem possíveis consequências desastrosas posteriores. O exemplo mais acessível que me vem à cabeça é o da corrupção. Maior ganho possível com o menor esforço possível, com expectativa de impunidade muito pequena. Mas o mesmo princípio, acredito, pode ser ampliado. No Brasil, o pragmatismo é a ética fundamentadora das ações, de maneira transversal. Segundo o dicionarista Aurélio Buarque de Holanda, pragmatismo:

As doutrinas de C. S. Peirce (v. peirciano), W. James (v. jamesiano1), J. Dewey (v. deweyano) e do literato alemão Friedrich J. C. Schiller (1759-1805), cuja tese fundamental é que a verdade de uma doutrina consiste no fato de que ela seja útil e propicie alguma espécie de êxito ou satisfação.

Utilidade, êxito ou satisfação, sucesso e felicidade, fuga do fracasso e da dor, o que dá certo é o que é bom. Eis aí uma das premissas fundamentais da nossa cultura, embora não fique muito claro de que maneira podemos alcança-los. 

O provérbio que temos diante de nós questiona a validade do nosso pragmatismo e nos mostra que nem sempre o que é fácil, útil e proporciona êxito ou satisfação é bom. Mostra-nos que o insensato e que faz isso, olvidando a voz da sabedoria. Gostaria de destacar três coisas que este pequeno versículo nos ensina:

Em primeiro lugar, a percepção[1] humana é falha – “há caminho que parece”. Os sentidos humanos estão tão corrompidos pelo pecado quanto qualquer outra parte do nosso ser. Ló, por exemplo, escolheu as campinas verdes de Sodoma e Gomorra, num ato claro de pragmatismo, vindo, posteriormente, perder tudo por causa da destruição daquelas cidades em vista da medida do pecado delas ter transbordado (Gn 19).

Em segundo lugar, nem sempre o que é fácil é certo – “há um caminho que ao homem parece direito (reto, plano, sem dificuldades”). Como diz Champlin (2001, p. 2606) “a vereda falsa é reta (conforme diz, literalmente, o original hebraico) e fácil de seguir, e, sendo reta, parece correta. Esse caminho reto promete sucesso e felicidade, mas é uma vereda traiçoeira e enganadora”.

Em terceiro lugar, toda escolha tem consequências – “mas no final conduz à morte”. Que consequência terrível. Veja que “há um caminho” e ao final “o fim dele são os caminhos da morte. (Pv 14.12 – Almeida Corrigida e Revisada Fiel). Entra-se por um caminho e ao final, em vez de chegarmos a um destino certo, encontramos outros tantos, numa espiral infernal do desejo e satisfação ilimitados, que por fim nos conduz à morte (física, espiritual e eterna). Mas uma vez Champlin (2001, p. 2606) nos ensina que “embora a vereda do pecador seja reta e aparentemente correta, leva o pobre homem à ruína, à morte prematura, com muitos desastres ao longo do caminho”.

“Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho” (Sl 119:105). Escolher é difícil, é verdade, mas segundo o salmista temos um referencial confiável para fundamentar nossas escolhas e andar no caminho com segurança – a Palavra de Deus. Olha por onde andas, ilumina teu caminho com a Palavra de Deus, se necessário dá meia volta e toma o rumo certo, o caminho certo – JESUS (Jo 14.6).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] Faculdade de apreender por meio dos sentidos ou da mente; consciência (de alguma coisa ou pessoa), impressão ou intuição, esp. Moral (HOUAISS, 2009). 

CHAMPLIN, R. N., O Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. vol. 1. São Paulo: Hagnos, 2001.

DICIONÁRIO Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. (v.1.0) Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

DICIONÁRIO Eletrônico da Língua Portuguesa Novo Aurélio - Século XXI. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

As bíblias citadas foram consultadas no site: www.bibliaonline.com.br. Acesso em: 26 jul 2015.


quinta-feira, 23 de julho de 2015

O prazer de Deus na salvação dos pecadores


Referência: Ez. 3. 17.
Um conhecimento de nós mesmos vai mostrar-nos o quanto precisamos de arrependimento, e um conhecimento de Deus nos encoraja a se arrepender. Muitas são as descrições que temos de Deus no volume inspirado, mas ninguém merece a nossa atenção mais do que esse texto que temos diante de nós. Nele vemos
I. O poder de Deus para salvar
Não vamos falar do poder de Deus em geral, mas como ele se manifesta na salvação de sua igreja e dos povos. Ele habitava "no meio" do seu povo no deserto. "E mostrou seu" poder para salvá-los, "livrando-os de todos os seus inimigos, e suprindo todos os seus desejos, portanto, o mesmo é verdadeiro no meio de sua igreja, é tão capaz quanto antes para salvar seu povo, para este fim ele ordena cada coisa por sua providência", e faz isso com a sua palavra eficaz através das operações onipotentes de seu Espírito Santo.
II. Sua determinação para salvar
Se ele nos deixasse a nós mesmos, nenhum de nós seriamos salvos. Nós todos dizemos a ele: "Apartai-vos de nós", nem nós nunca transformar efetivamente a ele até que ele nos fez voluntariamente no dia do seu poder". Por conta disso, ele leva o assunto em suas próprias mãos, e determina para salvar aqueles a quem ele deu a seu Filho. "Tendo comprado-os com o sangue de seu Filho, ele vai nos proteger a si mesmo, pela operação do seu Espírito. Ele de fato não destruir o nosso livre-arbítrio, mas ele supera a nossa relutância, e nos atrai para si por uma operação não menos poderoso do que isso, que ele exerceu na criação de seu Filho, Jesus Cristo dentre os mortos.
III. Seu prazer em salvar
Não há qualquer coisa assim delicioso para Deus como o trabalho de salvar os pecadores. Nem ele simplesmente sentir um prazer para dentro, mas, como um homem, cheio de alegria, em qualquer caso, involuntariamente expressa sua alegria cantando, ou algum outro sinal exterior, de modo que Deus manifesta o seu prazer para a alma de retornar. O homem por natureza não conhece a felicidade maior do que um noivo se sente, quando, após um longo suspense e muitos medos, ele se une à sua noiva. No entanto, tal é a imagem que o próprio Deus usa, para ilustrar sua alegria por retornar pecadores.
IV. Sua imutabilidade para aqueles a quem ele pretende salvar
O homem é muitas vezes alienado do objeto de suas afeições, ou por meio de algum mal inesperado, ele descobriu, ou através de sua própria instabilidade e inconstância. Mas Deus não muda. "A quem ele ama, ele ama até o fim. Ele odeia o repúdio. E, como ele amava o seu povo desde a eternidade", e escolheu-os sem qualquer referência à boa ou visto ou previsto neles, assim que ele não abandoná-los por causa de suas enfermidades. Ele vai realmente punir as transgressões com todo rigor necessário ", mas os seus dons e chamadas são sem arrependimento, nem ele vai abandonar o povo, que ele escolheu em Cristo, e dado a ele.
Usos - Neste glorioso caráter de Deus, podemos ver
1. O mal do pecado
O pecado, sob qualquer circunstâncias, talvez cometido, está diretamente dirigida contra ele. E, se a nossa consciência não pode ser queimado como com um ferro quente, o pensamento de ter tantas vezes que cometeu, que milita contra a honra, a autoridade, ea própria existência de tal Deus, deve nos tornar odioso aos nossos próprios olhos, e levar-nos a nós mesmos abomino no pó e na cinza. "
2. O risco de morrer em um estado de não-convertidos.
Aqueles a quem nosso Senhor pregado, e entre os quais ele operou seus milagres, tinha uma condenação muito mais pesado do que teria recebido, se nunca tinha gostado dessas vantagens.'' E vai haver agravamento de nossa culpa no dia do julgamento ter desprezado um Deus tão amoroso e misericordioso? Certamente, então ele vai mostrar-se poderoso para destruir tais rebeldes obstinados, e vai se sentir uma satisfação permanente em vindicar a honra de sua majestade insultado, como ele agora faria em exibindo as riquezas da sua misericórdia. Será "uma coisa terrível cair nas suas mãos", sob tal culpa agravada.
3. A obrigação que recai sobre os crentes para servir ao Senhor.

Você foi escolhido por Deus como objetos de seu amor imerecido? Você foi resgatado pelo sangue de seu Filho amado? E ter uma boa esperança, que deve ser feita monumentos eternos de seu poder e graça? O que você deve prestar ao Senhor por esses benefícios? O amais; nele se alegra com alegria indizível e descanso em seu amor a ele, não tendo qualquer fim, sem objetivo, lio desejo, mas para agradar e honrar a Deus da sua salvação.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Lembranças, doces lembranças

Fonte da figura: http://conceito.de/memoria

"Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós..."
Filipenses 1:3


Que tipo de memorias inspiramos nos outros? Doces ou amargas – para usar uma metáfora do palato? Essa pergunta, em relação ao contexto da carta aos Filipenses, é uma via de mão dupla, pois ela remete tanto às lembranças que Paulo tem dos filipenses, quanto a que os filipenses têm de Paulo.
A narrativa da fundação da igreja em Filipos está em Atos dos Apóstolos 16. Vamos agrupar a narrativa em torno dos três elementos estruturantes ou constitutivos da memória individual:

Em primeiro lugar, toda memória é constituída de acontecimentos. Segundo o dicionarista Houaiss, o verbo acontecer significa “ser ou tornar-se realidade no tempo e no espaço, seja por acaso, seja como resultado de uma ação, ou como o desenvolvimento de um processo ou a modificação de um estado de coisas, envolvendo ou afetando (algo ou alguém)”. Ao lermos Atos 16, logo descartamos a eventualidade dos acontecimentos que conduziram e ocorreram a Paulo em Filipos, o texto fala claramente que o Espírito Santo o dirigiu àquela cidade e possibilitou-lhe encontros e desencontros.

Em segundo lugar, toda memória é constituída de pessoas, de personagens. Em Filipos Paulo conheceu várias pessoas, de diferentes classes sociais e procedências religiosas. Uma vendedora de púrpura chamada Lídia, uma jovem possessa por um espírito de adivinhação, o carcereiro da cidade, além de vários anônimos que são referidos na passagem acima, mas que o Senhor não nos permitiu conhecer-lhes os nomes.

Em terceiro lugar, toda memória é constituída de lugares. Os acontecimentos e as pessoas estão ancorados, emoldurados em lugares por onde passamos, permanecemos, vivemos. O lugar que emoldura a narrativa é a cidade de Filipos, uma das principais cidades da Macedônia, orgulhosa de sua condição de colônia romana, de ser, melhor dizendo, uma miniatura de Roma. É nesse lugar que Paulo vai desenvolver seu ministério e fundar a primeira igreja da Europa.


Tudo isso nos leva a concluir que os encontros e desencontros não são ocasionais. “Dou graças ao meu Deus”, Paulo entende que é Deus que proporciona a ocorrência de acontecimentos, o encontro com pessoas e o trânsito pelos lugares para, acima de tudo, cumprir os Seus propósitos. Valorize os acontecimentos que te conduzem à lugares e pessoas, por não é por acaso que as encontramos. Lembranças, doces lembranças dos filipenses Paulo carrega na memória, e depois de cerca de 10 anos distante, ainda inspira o apóstolo a interceder por aqueles irmãos. O melhor lugar para se lembrar de alguém é diante de Deus em oração.

CRISTO, NOSSO ADVOGADO

Fonte da figura: http://www.reflexoesevangelicas.com.br/

Texto: Jo 2.1,2

2.1 Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo;
2.2 e ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.

INTRODUÇÃO

Uma das maiores dificuldades que o crente sincero e fervoroso encontra na vida cristã é a de lidar com seus próprios fracassos. E quanto a isso, existe dois extremos perigosos: ser demasiado indulgente e demasiado severo para com o pecado. Indulgência demasiado grande seria quase encorajar o pecado no cristão salientando a provisão de Deus para o pecador. Uma severidade exagerada, por outro lado, seria, ou negar a possibilidade de um cristão pecar, ou recusar-lhe perdão e restauração, se ele cai. Ambas as posições extremas são contestadas por João. Portanto, hoje vamos estudar sobre a provisão de Deus para aqueles que pecam.

I – ENCORAJAMENTO DE DEUS PARA OS CRISTÃOS
Filhinhos meus, estas cousas vos escrevo para que não pequeis (2.1a).

1 – Um pastor afetuoso com seu rebanho – “Filhinhos meus”. A frase, Filhinhos meus, sugere tanto a idade avançada do autor como o terno e afetuoso relacionamento que havia entre ele e seus leitores.

2 – Um pastor preocupado com seu rebanho – “estas cousas vos escrevo para que não pequeis (2.1a)”.
2.1 – Aprendemos da declaração de João que Deus nos deu a Bíblia para que aprendamos a não pecar.
2.2 – Aprendemos da declaração de João que o perdão repetido de pecados por meio da confissão (1.9) não funciona como uma espécie de “válvula de escape” para uma vida irregular, ou para um cristianismo de baixo padrão moral. “Não”, diz João, “escrevi estas coisas exatamente para que vocês não pequem.”
2.3 – Aprendemos da declaração de João que ainda não somos perfeitos. De fato, existem várias passagens, como essa agora comentada (2.1a), que aparentemente ensinam que a perfeição cristã moral absoluta é algo possível de ser obtido aqui nessa vida. Ao longo da história, vários movimentos têm surgido dentro da Igreja Cristã ensinando algum tipo de perfeição. O perfeccionismo, entretanto, não é bíblico. O ensino bíblico sobre a perfeição cristã pode ser resumido em alguns pontos. Primeiro, todos os crentes já são perfeitos em Cristo Jesus (Cl 2.10; 3.1-4; Ef 2.6; Rm 8.30). Estas passagens bíblicas se referem à posição ocupada pelo crente diante de Deus, em Cristo. Esta perfeição é um ato de Deus, pela graça. Segundo, durante a vida presente, há um processo de aperfeiçoamento (santificação), em que a perfeição já obtida em Cristo é operada gradualmente em nós (2Co 7.1); nesse processo, o crente coopera por meio do aprendizado e obediência (Fp 2.12,13). Terceiro, esse processo é incompleto aqui nessa vida, mas é completado na morte do crente (2Co 5.1-5), ou no retorno do Senhor Jesus (ICo 15.51,52). Por último, as Escrituras preveem uma vida santa e vitoriosa para o verdadeiro cristão, como sinal da sua eleição (2Ts 2.13; Hb 12.14) e como sendo o seu andar normal (3.9; Rm 6.12-14; G1 5.16).

II – PROVISÃO DE DEUS PARA A RESTAURAÇÃO DOS CRISTÃOS
Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, O Justo (2.1 b).

1 - O pecado no crente é um “acidente”, e não a situação normal em que ele vive. No original, essa frase expressa uma possibilidade, não algo que fatalmente irá ocorrer. Para João, o pecado no crente é um “acidente”, e não a situação normal em que ele vive. A ideia é que o crente, pela graça de Deus, pode levar uma vida onde o pecado é acidental, e não normal (3.6; 3.9). Mas acidentes espirituais infelizmente acontecem.

2 – A provisão que Deus fez para o cristão que peca “temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (2.1b).

2.1 – Advogado junto ao Pai. A palavra “advogado” aparece mais quatro vezes no Novo Testamento, todas no Evangelho de João, onde é traduzida como “Consolador”, e se refere ao Espírito Santo (ver Jo 14.16,26; 15.26; 16.7). Essa palavra significa, em geral, alguém que se coloca ao lado de outro para ajudar. Quando João usa a palavra aqui, aplicada a Cristo, a ideia é que ele fala sobre nós com o Pai, em nossa defesa, e intercede para que sejamos perdoados (Rm 8.34; I Tm 2.5). Não se trata interceder diante do Juiz, pois já fomos justificados, mas do Pai, pois somos filhos de Deus, parte da família.
            2.1.1 – Sua natureza humana – Jesus (Hb 5.19; 7.24,25);
            2.1.2 – Seu ofício divino – Cristo;
            2.1.3 – Seu caráter justo – Justo;
2.1.4 – Seu sacrifício propiciatório. E ele é a propiciação pelos nossos pecados (2.2a). Essa frase vem da linguagem cerimonial do Antigo Testamento, quando animais eram sacrificados e o sangue derramado como “pagamento” pelo pecado (cf. Lv 16.14,15; 17.11). Cristo é o sacrifício, providenciado pelo próprio Deus, que satisfaz ajusta ira de Deus pelos nossos pecados, e desvia essa ira de sobre nós, apaziguando a Deus e nos reconciliando com ele (veja ainda 4.10; Rm 3.25,26; I Pe 2.24; 3.18). Aqui podemos destacar:
            a) A natureza do seu sacrifício. E ele é a propiciação pelos nossos pecados (2.2a)
            b) O Alcance do seu sacrifício. E não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro (2.2b).

APLICAÇÕES

Vimos que Deus nos deu a Bíblia para que aprendamos a não pecar.

Aprendemos também que podemos confiantemente suplicar pelo perdão de nossos pecados, pois Jesus Cristo nos garante a remissão.


Que Salvador maravilhoso e perfeito! Em Cristo recebemos ânimo e coragem para continuarmos quando, ao pecarmos, recorrermos à sua obra completa.

COMO ERAM AS MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO E NO NOVO TESTAMENTO?

O Evangelho de João relata uma passagem da vida de Jesus que leva algumas pessoas a entender que o Espírito Santo não agia entre o povo d...