quarta-feira, 26 de outubro de 2016

ISAQUE E REBECA: BASE PARA VIVER JUNTOS SEM CASAR?

Por Augustus Nicodemus Lopes

Alguns queridos amigos têm apelado para o episódio do encontro de Isaque com Rebeca como base para sua posição de que, na Bíblia, o casamento é a decisão de duas pessoas de se unirem diante de Deus e terem relações sexuais. Não precisa de cerimônia pública, compromisso formal, testemunhas, pais, parentes, autoridades, etc. A passagem é esta aqui:

“Isaque conduziu-a até à tenda de Sara, mãe dele, e tomou a Rebeca, e esta lhe foi por mulher. Ele a amou; assim, foi Isaque consolado depois da morte de sua mãe” (Gen 24:67).

O argumento é que o casamento de Isaque e Rebeca foi simplesmente terem tido relações na tenda, sem nenhuma formalidade. 
Acho que mexeram com o versículo errado... como sempre, texto fora do contexto é pretexto. É só ler o capítulo 24 de Gênesis todo para se perceber que na verdade, quando Isaque e Rebeca se encontraram e foram para a tenda, eles já eram casados.

Explico.

Abraão manda seu servo ir até a casa de seus parentes na Mesopotâmia para de lá “tomar uma esposa” para seu filho Isaque (Gn 24.4). Para isto, ajuramentou o servo, que foi como seu representante, ou procurador (Gn 24.2-4 e 8-9). Naquela época os casamentos eram geralmente arranjados pelos pais e por vezes se usava a figura de um representante legal. Aliás, até hoje, é possível casar por procuração.

O servo-procurador foi, orando para que Deus mostrasse quem seria a esposa para Isaque (Gn 24.12-14). Quando ficou claro que era Rebeca, o servo-procurador lhe entregou presentes, que já apontavam para um pedido oficial de casamento (como alianças de noivado, por exemplo), e pediu para conhecer a família dela (Gn 24.22-26).

A família era composta da mãe e do irmão Labão, que era o patriarca da família (o pai havia morrido), o que naquela época significava aquele que fazia o papel do líder religioso e civil. É só verificar o episódio mais adiante, em que ela casa as suas duas filhas, Lia e Raquel, com Jacó (Gn 29).

Voltando ao relato... Diante da mãe e do irmão de Rebeca, o servo-procurador fez a proposta de casamento, repetindo a missão que lhe fora dada: achar uma esposa para Isaque (Gn 24.28-49). Houve a permissão da mãe e do irmão (Gn 24.50-51) e em seguida perguntaram a Rebeca: “queres ir com este homem?”, ao que ela respondeu “irei” (Gn 24.57-58) – algo bastante parecido com “você aceita este homem como seu legítimo esposo?” – “sim, aceito”. E não faltou nem bênção: Labão, como patriarca da família, abençoou Rebeca na saída (Gn 24.60 – a frase “és nossa irmã” sugere que foi Labão quem deu esta bênção).

Mais casados do que isto, impossível.

Portanto, quando depois da longa viagem Rebeca encontra Isaque, e o servo-procurador relata tudo o que aconteceu (Gn 24.61-66), quem Isaque leva para a tenda para ter relações sexuais é sua legítima esposa, e não uma jovem que ele havia encontrado vagando pelo campo.

Portanto, o episódio Isaque-Rebeca é, na verdade, mais uma evidência de que o casamento em Israel não era simplesmente ir para uma tenda ter relações.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

E se foi sem deixar de si saudades


“Era Jeorão da idade de trinta e dois anos quando começou a reinar e reinou oito anos em Jerusalém” (2Cr 21.5).

Jeorão era o filho mais velho do grande rei Josafá e neto de Asa. Embora teve outros irmãos, por ser o primogênito, foi o herdeiro do trono. Começou a reinar com trinta e dois anos e reinou oito anos. De todos os reis de Judá, nenhum teve um fim tão trágico. Não houve lágrimas em seu funeral nem saudade depois de sua morte. Na lápide de seu túmulo, poderia ter sido escrito: “E se foi sem deixar de si saudades” (2Cr 21.20). Jeorão fez muitas escolhas erradas na vida. Essas escolhas transformaram-no num monstro e numa ameaça à sua família e à sua nação. Vejamos:

1. Jeorão deixou de seguir o exemplo de seu pai (2Cr 21.1-5). Josafá, seu pai, foi um rei piedoso. Conheceu a Deus e fê-lo conhecido. Experimentou o livramento de Deus e levou sua nação a pôr sua confiança em Deus. Porém, Jeorão mesmo sendo o filho mais velho, não andou nas mesmas pegadas de seu pai. Era de diferente estofo. Por causa de suas loucuras, transtornou sua vida, sua família e sua nação.

2. Jeorão deixou de buscar a direção de Deus para o seu casamento (2Cr 21.6). Jeorão era genro de Acabe. Sua sogra era Jezabel. Foi buscar uma esposa na pior família do reino do Norte. Esse casamento longe de incentivá-lo a andar com Deus, induziu-o a fazer o que era mau perante o Senhor. Um casamento errado é fonte de muitos desgostos, causa de muita dor, palco de muitas tragédias. O casamento de Jeorão matriculou-o na infame escola da idolatria. Depois de sua morte, essa mulher, chamada Atalia, continuou aconselhando Acazias, o próximo rei, a proceder iniquamente (2Cr 22.3). Mais tarde, tentou usurpar o próprio trono.

3. Jeorão deixou de confiar em Deus para sustentar seu governo (2Cr 21.4). Ao assumir o trono, tendo-se fortalecido, matou todos os seus irmãos à espada, bem como alguns príncipes de Judá. Essa truculência desumana foi o resultado de sua insegurança. O medo de perder o poder, fê-lo destruir seus possíveis concorrentes. Sua gana pelo prestígio megalomaníaco induziu-o a matar até mesmo os membros de sua família. Tornou-se um homem perverso, sem amor natural, sem temor a Deus, sem respeito à vida.

4. Jeorão deixou de servir ao Deus vivo para promover a idolatria em sua nação (2Cr 21.11-13). Em vez de imitar seu pai Josafá, homem piedoso, imitou Acabe, seu sogro, homem idólatra e perverso. Em vez de promover a religião verdadeira em seu reino, disseminou em Jerusalém a idolatria e fez errar o reino de Judá. Ele liderou sua nação para longe de Deus. Foi um líder nocivo à sua família e ao seu povo. Ele induziu sua nação a afastar-se de Deus.

5. Jeorão atraiu maldição sobre sua cabeça, sobre sua família e sobre sua nação (2Cr 21.14-17).Porque Jeorão abandonou os caminhos de seu pai e de seu avô para seguir os perversos caminhos de Acabe, Deus trouxe grandes flagelos sobre seu povo, seus filhos, suas mulheres e todas as suas possessões. O pecado atrai o juízo divino. O pecado é o filho maldito da cobiça. Seu salário é a morte.

6. Jeorão colheu o que plantou, pois foi atacado por uma doença assombrosa e incurável (2Cr 21.18,19). Jeorão zombou da graça de Deus, escarneceu de sua bondade e encheu Jerusalém de abominável idolatria. Porque ele virou as costas para Deus, foi ferido por uma enfermidade que lhe trouxe terríveis sofrimentos e morte humilhante. Saíram-lhe as entranhas e morreu com terríveis agonias.

7. Jeorão viveu para fazer o mal e morreu sem deixar de si saudades (2Cr 21.19b,20). Depois de dois anos de atroz sofrimento, Jeorão morreu. Sua morte, entretanto, não produziu lágrimas nos seus súditos, mas alívio. O seu povo não lhe queimou aromas nem lhe prestou homenagens. Ele se foi sem deixar de si saudades. Sua vida foi um fracasso, sua morte foi uma tragédia e seu legado foi um pesadelo. Oh, que triste história, de um homem que perdeu as melhores oportunidades da vida e morreu sem se voltar para Deus. E você, o que tem feito de suas oportunidades? Como tem sido suas escolhas?

sexta-feira, 10 de junho de 2016

O corajoso plano de Bitia

Por Daniel Santos

Embora em sua primeira aparição nas Escrituras ela tenha permanecido anônima, Bitia foi uma importante personagem na história de Israel, num momento quando poucos tinham o interesse ou a coragem de demonstrar compaixão pelo povo de Deus. Bitia é o nome da filha de faraó que encontrou o cesto com o menino Moisés na margem do rio Nilo. Seu nome aparece em uma das genealogias no primeiro livro das Crônicas (1 Cr 4.17), que também nos informa que ela se casou com o israelita Merede posteriormente. Uma comparação entre a genealogia de Moisés e essa de Crônicas nos mostra que, de fato, essa filha de faraó foi a mesma acolheu o menino Moisés. No relato que temos da principal contribuição de Bitia para o povo de Israel (Êx 2.5-10), há três atitudes marcantes que se destacam: seu envolvimento, sua corajosa compaixão e seu programa social.

1. Seu envolvimento.

Sendo a filha do faraó, Bitia poderia muito bem ter se mantido isolada de toda a convulsão social que acontecia em seu país, causada pela decisão de seu pai de mandar matar todos os bebês do sexo masculino, nascidos naqueles dias. Segundo lemos em Êxodo 1.22, a ordem era um tipo de convocação geral: “Então, ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem aos hebreus lançareis no Nilo, mas a todas as filhas deixareis viver”. Há duas coisas cruciais para observarmos aqui. Primeiro, a ordem foi dada ao seu povo, ou seja, ao povo egípcio. Por quê? Por causa da “ineficiência” das duas parteiras hebreias, que receberam ordem para matar os meninos hebreus. Segundo a explicação dada por elas, as mulheres hebreias eram mais robustas e nem aguardavam as parteiras para dar à luz seus filhos; quando chegavam, já tinham nascido. Assim sendo, faraó resolveu convocar todo o seu povo para fazer o que as duas parteiras não estavam dando conta sozinhas.

O que isso tem a ver com o “envolvimento” de Bitia com os problemas sociais? Ora, a filha de faraó não precisava ir tomar banho no rio Nilo; aliás, isso era até desaconselhável num momento como aquele. Imagine as mães hebreias cujos filhos tinham sido mortos, encontrando a filha do faraó assassino num local público, tendo, como guarda-costas, somente um grupo de donzelas? Também, é muito pouco provável que o palácio estivesse passando por algum tipo de racionamento de água.

A saída de Bitia para banhar-se no rio deve ser entendida como um pretexto, pois, tendo as condições perfeitas para banho no palácio, ela resolveu se deslocar até onde os bebês dos hebreus estavam sendo jogados. À luz do que lemos em Êxodo 1.22, as margens do rio, naqueles dias, era um local de lamento e choro para as mães hebreias, e a presença de uma representante da família real ali só acirraria os ânimos. Assim sendo, eu entendo a ida de Bitia ao rio como uma decisão firme e resoluta de não se esconder atrás das atrocidades causadas pelo seu pai. Ela saiu de sua zona de conforto e quis ver de perto a gravidade daquilo que estava acontecendo. Mesmo que a Bíblia não afirme explicitamente ter sido esse o motivo para ela ir ao rio, sua reação imediata, ao ver o menino Moisés, demonstra seu distanciamento da postura do seu pai.
2. Sua corajosa compaixão.

O relato de Êxodo descreve a reação de Bitia, ao encontrar o cesto, nos seguintes termos:“Abrindo-o, viu a criança; e eis que o menino chorava. Teve compaixão dele e disse: Este é menino dos hebreus” (Êx 2.6). Alguém poderia argumentar que ela teve compaixão porque o menino chorava. Mas, se esse fosse o caso, porque a sua primeira fala ao abrir o cesto foi “este é menino dos hebreus”? Há tantas coisas que poderiam ser ditas por uma mulher que acabara de encontrar uma criança abandonada no rio, por que Bitia resolveu dizer isso? A sua frase continha todos os elementos de que um cidadão egípcio precisava para jogar o menino de volta ao rio, sem remorso, pois estaria cumprindo as ordens do rei. Felizmente, antes de Bitia dizer qualquer coisa, ela teve compaixão dele. Ter compaixão e poupar o menino foi um ato de muita coragem, pois certamente essa notícia chegaria ao conhecimento do seu pai, do mesmo modo que a notícia de que Moisés matara um egípcio e escondera na areia chegou ao conhecimento de faraó. Rompendo com todas essas amarras e prováveis consequências, Bitia demonstra compaixão e, ao fazê-lo, nos ensina que até para demonstrar compaixão é preciso de coragem. Esse sentimento não é próprio dos covardes, nem daqueles que convenientemente se isolam do mundo ao seu redor.
3. Seu programa social

Após ter encontrado o menino Moisés e ter tido a coragem de poupá-lo, Bitia poderia ter encerrado por ali o seu envolvimento com ele. Ela poderia, por exemplo, ter respondido à proposta de Miriã (de trazer uma mãe hebreia para amamentá-lo) com as seguintes palavras: “Aqui está! Leve este menino e encontre uma mãe hebreia que possa adotá-lo ou criá-lo”. Se ela tivesse feito isso, já seria um grande gesto de compaixão, pois teria poupado a vida do menino Moisés. Todavia, Bitia resolveu se envolver de corpo e alma com aquele menino em três aspectos:

Primeiro, ela aceita a proposta de Miriã que, diga-se de passagem, era muito arriscada; Bitia poderia nunca mais ver nem a sombra daquela criança. Havia certamente mães egípcias que poderiam amamentar o menino, se não por compaixão, pelo salário que ela pagaria, mas ela decidiu estabelecer um envolvimento duradouro que tivesse um impacto na sua sociedade. Ao aceitar a proposta de Miriã, Bitia estava dizendo, alto e bom som, que não se sujeitaria às leis do seu país que promoviam a matança de crianças. Além disso, ela reconheceu e apoiou o direito das mães hebreias de criar seus próprios filhos. Sua atitude dizia: “Se meu pai decretou leis que legalizam a tortura das mães hebreias, fazendo-as enjeitar seus filhos (cf. At 7.19), eis aqui o meu programa social: eu quero incentivar a compaixão e quero criar o ‘bolsa amamentação’ para mulheres que, além de leite, tenham compaixão e coragem para oferecer”.

Segundo, ela investiu no futuro daquele menino. Ao aceitar adotá-lo, Bitia criou condições para que o menino Moisés se beneficiasse de privilégios que somente um egípcio teria naqueles dias, proporcionando saúde, educação e segurança palacianas. É verdade que Moisés iria abandonar tudo isso posteriormente, mas o gesto de Bitia entrou para a história.

Terceiro, ela imputou ao menino a esperança do seu próprio povo, quando lhe colocou o nome “Moisés”. Se o menino foi levado de volta ao palácio quando já era “grande” (cf. 2.10), é provável que tivesse outro nome mais comum entre os filhos dos hebreus. O nome que Bitia escolheu era um título que foi pela primeira vez utilizado para o faraó que conseguiu libertar o Egito da ocupação estrangeira; seu nome era “Amoses”. Depois dele, vieram outros que também usaram parte desse nome em seus títulos, como o Tutmoses. Ao chamar o menino de “Mosis” (ou “Moisés”), Bitia colocou nele sua esperança simbólica de que não seria pela opressão nem ela chacina que sua sociedade prevaleceria, mas pela compaixão, envolvimento e investimento.

Para Bitia não importava se Moisés fosse ou não permanecer na sociedade egípcia. Ela estava fazendo um investimento para a humanidade em seus dias. O mundo, em seus dias, precisava de voltar a valorizar a vida humana, independentemente da nacionalidade.

Se a justificativa das parteiras foi de que as mulheres hebreias eram mais vigorosas que as egípcias para dar à luz seus filhos (cf. Êx 1.19), mulheres egípcias, como Bitia, não ficavam para trás em sua coragem para sair da zona de conforto e pagar o preço da compaixão.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Cuide da vida do seu próximo


“Não matarás” (Ex 20.13)

O Decálogo é o código de ética que deve reger a sociedade. Sobretudo, nós, povo de Deus, temos o compromisso de observar esse preceito divino. Depois de falar de nosso compromisso com Deus, a ênfase recai, agora, em nosso relacionamento com o próximo. E dentre os compromissos que temos com o próximo, o primeiro deles é respeitar sua vida e preservá-la. A vida é um dom de Deus e somente Deus tem autoridade para dar a vida e direito de tirar a vida. Ceifar a vida do próximo é uma quebra do sexto mandamento. Portanto, em vez de destruir o próximo, precisamos cuidar dele. Somos guardiões do próximo e não homicidas.

De que maneira, uma pessoa pode matar a outra? Não apenas quando se insurge contra ela para tirar-lhe a vida, mas, também, atentando contra o seu nome e a sua honra. Destacaremos, aqui, três pontos:

1. Mata-se o próximo quando se alimenta ódio por ele. A Escritura diz: “Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino…” (1Jo 3.15). O ódio é um sentimento avassalador e destruidor contra o próximo que se aninha no coração. Esse sentimento é hostil e se alimenta de um perverso desejo de que seu desafeto seja destruído. O ódio é o prelúdio do assassinato. É a motivação que leva o homicida a tirar a vida do próximo. Mesmo que esse sentimento fique sob o manto do anonimato, e mesmo que, aquele que o alimenta jamais consuma o seu desejo, aos olhos de Deus, que vê o coração e conhece as motivações, aquele que odeia a seu irmão é assassino. Deus julga não apenas o ato, mas, também, sua intenção. Julga não apenas a ação, mas, também, a motivação. O ódio destrói tanto aquele que o nutre como aquele a quem é endereçado. O ódio é duplamente mortal.

2. Mata-se o próximo quando se fala mal dele. A palavra de Deus afirma: “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto” (Pv 18.21). A língua é como uma espada afiada que fere a honra, destrói o nome e mata a reputação das pessoas. Podemos ser um bálsamo de vida para o nosso próximo ou um agente de morte, dependendo da maneira como lidamos com a nossa língua. A língua é como um veneno letal e como uma fagulha que incendeia uma floresta. A maledicência é uma arma destruidora que produz imensa devastação. Por isso, o pecado que Deus mais abomina é semear contenda entre os irmãos. Falar mal dos irmãos é transgredir a lei. Ferir os irmãos com a língua é matar sua honra e conspirar contra sua reputação. Matar o nome de uma pessoa é um assassinato moral.

3. Mata-se o próximo quando se tira a vida dele. O mandamento da lei de Deus é categórico e insofismável: “Não matarás” (Ex 20.13). Matar o próximo é tirar sua vida em vez de protegê-la. É ser algoz em vez de ser guardião. É tirar do outro o que não se pode devolver a ele. É usurpar do próximo seu bem mais precioso, a própria vida. O assassinato é a ação máxima contra o próximo. É a consumação do ódio. É a rebelião contra Deus, o autor da vida e, a usurpação do direito exclusivo de Deus de dar e tirar a vida. Os homicidas são transgressores da lei. Eles não têm a vida eterna permanente em si. Eles não herdam o reino de Deus. A menos que se arrependam, jamais poderão ser salvos. Como você tem lidado com o sexto mandamento da lei de Deus? Você tem cuidado do seu próximo ou tem atentado contra ele? Você é um protetor ou um algoz?

Rev. Hernandes Dias Lopes

terça-feira, 26 de abril de 2016

Samuel apareceu a Saul? A pitonisa era "médium"?

Duas perguntas se destacam no controvertido episódio da Pitonisa de En-Dor, descrito em 1 Sm 8.19-20): 1. Samuel realmente apareceu a Saul? 2. Existe uma explicação bíblica para a mediunidade?

Os seguintes pontos são básicos para um entendimento sobre o assunto:

1. At 16.16 e Dt 13 são passagens que mostram que a Bíblia reconhece que Satanás utiliza pessoas com esse propósito de "intermediar" o oculto.

2. No entanto, esse meio de suposta “aquisição de conhecimento espiritual” é vedado por Deus (Dt 18.9-14). Em Dt 13.2-5 maior importância é dada à revelação prévia recebida (v. 4), como meio de comunicação de Deus ao homem, do que aos fenômenos e maravilhas porventura realizadas por agluém. A revelação escriturada (a Palavra de Deus) é a fonte confiável e está em harmonia com essa diretriz. Ela é o conjunto de revelação dada por Deus às pessoas

3. Is 8.19-20 mostra que o caminho certo de se prescrutar a vontade de Deus é a consulta à Palavra de Deus ("à Lei e ao Testemunho"), e não aos médiuns e advinhos.

4. Temos várias condenações adicionais a consultas aos médiuns, em Lv 19.31; Ex 22.18 e Lv 20.6.

5. No episódio da Pitonisa de En-Dor, pode ter existido uma manifestação de Satanás (2 Co 11.14), como pode ter havido um embuste da parte daquela que se propunha a invocar os mortos. Nesse sentido, leia com atenção 1 Sm 28.14: “... entendendo Saul que era Samuel...” No v. 13, a mulher disse “... vejo um deus que sobe da terra...”

6. Mesmo havendo a possibilidade dessa mulher ter sido enganada, ou de ter enganado a Saul, tudo ocorreu dentro da esfera de atuação de Satanás.

7. Não devemos ser indevidamente céticos, ou pseudo-racionais, afirmando que esses fenômenos não existem, pois tal posição não é bíblica, mas devemos ter a consciência de que fraudes existem com freqüência.

8. É improvável que a aparição fosse realmente de Samuel, servo de Deus, pela própria afirmação de que o espírito “subiu da terra...” e pela afirmação de Cristo, na parábola do Rico e Lázaro (Lc 16.26), de que os que com Deus estão não podem passar “... de lá para cá...”

Solano Portela - texto contido no quadro ilustrativo do Terceiro Mandamento, no meu livro, "A Lei de Deus Hoje".

Exalte a Deus por sua graciosa salvação

O apóstolo Pedro, no preâmbulo de sua primeira epístola, exalta a Deus pela salvação: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (1Pe 1.3). Duas verdades são destacadas no texto em tela:

1. A fonte da salvação (1Pe 1.3). Num tempo de extrema perseguição, sofrimento e dor, Pedro inicia a sua carta com uma doxologia. Não começa com o homem, começa com Deus. Não inicia com as necessidades humanas, mas com os louvores que Deus merece. Aqui Pedro mostra a fonte da salvação: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que segundo a sua muita misericórdia…”. Pedro começa louvando a Deus por sua salvação. A salvação é uma obra exclusiva de Deus. Ele deve ser exaltado por tão grande salvação. Seu nome deve ser magnificado por presente tão auspicioso.

Antes de apresentarmos nossas dores, nossas lutas, nossas lágrimas, nossas perdas neste mundo, devemos levantar os olhos ao céu e exaltar aquele que nos amou, escolheu e providenciou todas as coisas para a nossa salvação. Quando exaltamos a Deus por quem ele é e pelo que ele tem feito por nós, sentimo-nos mais fortalecidos para enfrentarmos nossas lutas leves e momentâneas.

2. A natureza da salvação (1Pe 1.3). Pedro faz uma transição da fonte da salvação para a sua natureza, mostrando que o plano estabelecido na eternidade, concretiza-se no tempo. Aquilo que foi planejado no céu realiza-se na terra. Duas verdades preciosas são aqui destacadas:

A regeneração (1Pe 1.3). “… nos regenerou…”. A regeneração é uma obra do Espírito Santo em nós. Ele muda nossas disposições íntimas, dando-nos um novo coração, uma nova mente, uma nova vida. Nascemos da semente incorruptível. Temos não somente um novo status (justificação), mas também uma nova vida (regeneração). Tornamo-nos filhos de Deus, membros de sua família. O crente renasce para dentro de uma nova família (Ef 2.19), passando a estar para com Deus numa relação de filho (Jo 1.12) e para com Jesus, de irmão (Rm 8.29).

A viva esperança (1Pe 1.3). “… para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos”. O apóstolo Paulo descreve o mundo pagão como um mundo sem esperança (Ef 2.12). Sófocles escreveu: “Não nascer é, inquestionavelmente, a maior felicidade. A segunda maior felicidade é tão logo nascer, retornar ao lugar de onde se veio”. O Cristianismo, porém, é a religião da esperança. Não caminhamos para um futuro desconhecido; marchamos para uma glória eterna. A regeneração nos leva a uma viva esperança. Somos regenerados para uma qualidade superlativa de vida. Somos regenerados para a esperança e essa esperança tem duas características: Primeiro, ela é viva. Segundo, ela é segura, pois está fundamentada na ressurreição de Jesus Cristo. Nossa esperança não é vaga e incerta, mas definida e segura. Sem a ressurreição de Cristo, nossa regeneração não seria possível e nossa esperança não faria nenhum sentido.

Você já pôs sua confiança em Cristo e já recebeu dele o dom da vida eterna? Tem exaltado a Deus por tão grande salvação? Você tem se deleitado nele e vivido de modo digno dessa gloriosa vocação? Nem toda a eternidade será suficiente para nos alegrarmos em Deus e agradecermos a ele, pois estávamos perdidos e fomos achados, estávamos mortos e recebemos vida!

Rev. Hernandes Dias Lopes

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A comunhão é necessária para a evangelização


A comunhão e a evangelização estão intimamente conectadas. A evangelização sem a comunhão é como uma sala de obstetrícia, onde os bebês recém-nascidos são abandonados à sua própria sorte. A comunhão precede a evangelização. Somente uma igreja saudável evangeliza com eficácia. O Livro de Atos dos apóstolos faz referência à comunhão dos crentes antes do Pentecostes, como estavam juntos e unânimes em oração (At 1.14). Também fala do profundo relacionamento de comunhão desfrutado pelos novos convertidos, logo que foram agregados à igreja (At 2.42-47). A igreja primitiva cresceu para cima, para dentro e para fora. Cresceu para cima em adoração, para dentro em comunhão e para fora em evangelização.

O Salmo 133 aborda três verdades importantes sobre o assunto em tela. Ei-los:

1. A comunhão é agradável. O salmista diz: “Oh quão bom e agradável é viverem unidos os irmãos” (Sl 133.1). A comunhão é algo belo e agradável aos olhos de Deus. A comunhão fortalece os relacionamentos fraternais e abre portas para novos contatos evangelísticos. A amizade é um poderoso instrumento evangelístico. Um indivíduo normalmente só permanece numa igreja onde constrói relacionamentos significativos de amizade. Sem comunhão, a evangelização perde seu vigor. Jesus foi enfático na Grande Comissão ao afirmar que os novos convertidos precisam ser integrados na igreja e essa integração passa pela comunhão (Mt 28.18-20).

2. A comunhão é terapêutica. O salmista comparou a comunhão fraternal ao óleo (Sl 133.2) e ao orvalho (Sl 133.3). O óleo tem um simbolismo muito rico tanto no Antigo como no Novo Testamento. Sua utilidade era tríplice: era usado como cosmético, como remédio e como um símbolo espiritual. A comunhão fraternal traz beleza aos relacionamentos, alívio na dor, além de ser símbolo da cura espiritual. A comunhão é a expressão visível da ação do Espírito derramando o amor de Deus no coração dos crentes. O orvalho é outra figura importante usada pelo salmista. O orvalho tem várias características: ele cai frequentemente. Sua ação é contínua. Assim deve ser a união fraternal. Ainda, o orvalho cai silenciosamente. Diferente da chuva, ele não é precedido pelos relâmpagos luzidios nem pelo estrondo dos trovões. Ele cai sem alarde. Assim é a comunhão fraternal. Ela age de forma terapêutica sem fazer barulho. Também, o orvalho cai durante a noite, ou seja, nas horas mais escuras da vida. É quando atravessamos os vales escuros da dor que a ação benfazeja da amizade desce sobre nossa vida como o orvalho restaurador. O orvalho sempre traz renovo e refrigério depois de um dia de calor escaldante. A comunhão fraternal tem o poder de refrigerar a alma e renovar o ânimo depois das duras provas e do calor sufocante que normalmente nos atinge nas jornadas da vida. O orvalho, finalmente, se espalha para horizontes longínquos. O orvalho que desce do Monte Hermon atinge também o Monte Sião. O Hermon fica no extremo norte de Israel e o Monte Sião está situado na cidade de Jerusalém, há mais de duzentos quilômetros ao sul. Assim é o poder da amizade. Ela cai sobre uma pessoa aqui e abençoa outras pessoas em lugares longínquos.

3. A comunhão é abençoadora. O salmista diz: “Ali ordena o Senhor a sua bênção e a vida para sempre” (Sl 133.3). Não há evangelização poderosa sem a bênção de Deus. Evangelização eficaz é uma operação soberana do Espírito Santo abrindo o coração do homem, dando-lhe o arrependimento para a vida e a fé salvadora. Quando a igreja vive em comunhão, ali Deus ordena vida. A evangelização é o instrumento mediante o qual as pessoas ouvem o evangelho, nascem de novo e recebem vida em Cristo. Deus mesmo é quem ordena a vida onde a comunhão existe. Só Deus pode abrir o coração, dar o arrependimento para a vida e outorgar a fé salvadora. Só Deus justifica o pecador e o sela com o Espírito Santo da promessa. É Deus quem opera no homem tanto o querer como o realizar. Tudo provem de Deus! E é ele mesmo quem estabelece as condições para uma evangelização poderosa e eficaz: É preciso preparar o terreno. É preciso cultivar relacionamentos de comunhão fraternal, pois é nesse ambiente regado pelo amor, que Deus ordena sua bênção e a vida para sempre.

Rev. Hernandes Dias Lopes

terça-feira, 5 de abril de 2016

O evangelho, a boa nova do céu à terra

O evangelho é a maior e a melhor notícia que o mundo já ouviu. É a mensagem da salvação em Cristo Jesus. O evangelho é chamado nas Escrituras de diferentes formas. Abordaremos, aqui, três dessas formas.

1. O evangelho do reino (Mt 4.23). “Percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo”. Na agenda de Jesus, três atividades foram destacadas. Primeiro, Jesus ensinou nas sinagogas. Este lugar era o centro dos encontros dos judeus e gentios piedosos para orarem e estudarem a lei de Deus. Ali Jesus entrava para ensinar o evangelho do reino. Segundo, Jesus pregou o evangelho do reino. Pregou no campo e na cidade, no templo e nas sinagogas, nas ruas e nos lares. Jesus não pregou a corrente de pensamento dos rabinos de seu tempo nem sobre as expectativas messiânicas do povo, mas pregou o evangelho do reino. Terceiro, Jesus curou toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo. Jesus ensinava, pregava e curava. Atendia as necessidades do corpo e da alma. Tratava do homem no sentido pleno, aliviando suas dores, curando suas doenças e oferecendo-lhe sua graça salvadora. Assim como o evangelho do reino teve prioridade na agenda de Jesus, a igreja, também, deve comprometer-se a pregar este evangelho.

2. O evangelho da paz (At 10.36). “Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o evangelho da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos”. O evangelho do reino é também o evangelho da paz. Por meio dele, judeus e gentios formam um só povo. O evangelho não faz distinção entre judeus e gentios, ricos e pobres, doutores e analfabetos. É endereçado a todos os homens, de todos os estratos sociais, de todos os estofos culturais, de todas as classes políticas. É o evangelho da paz, pois onde ele é proclamado, aí os homens são reconciliados com Deus e com o próximo. Onde o evangelho da paz é crido, cessam as guerras e conflitos dentro dos homens e entre os homens. Onde o evangelho da paz entra, ele produz paz com Deus, pois por meio de Cristo, todo aquele que crê, é reconciliado com Deus e feito filho de Deus. O evangelho da paz não é outro evangelho distinto do evangelho do reino; é o mesmo evangelho anunciado por meio de Jesus Cristo, o Senhor de todos. À parte de Cristo não existe boas novas aos homens. Jesus Cristo é a própria essência do evangelho. Ele é o conteúdo do evangelho. O evangelho não é apenas uma coletânea de doutrinas; é, sobretudo, uma pessoa. É Jesus, o Senhor de todos.

3. O evangelho da promessa (At 13.32). “Nós vos anunciamos o evangelho da promessa feita a nossos pais”. O evangelho do reino é, também, chamado de evangelho da paz e evangelho da promessa. O evangelho não começou quando Jesus veio ao mundo. Ele foi prometido desde a eternidade. Foi proclamado por Deus no jardim do Éden. Ele foi preanunciado pelos patriarcas nas priscas eras. Foi proclamado altissonantemente pelos profetas. Há, aqui, uma estreita conexão entre a antiga aliança e a nova aliança. Os que viveram antes de Cristo, olharam para frente, para o Messias que havia de vir; nós que vivemos depois de Cristo, olhamos para trás, para o Messias que já veio. O Cristo da profecia é o Jesus histórico. Nossos pais creram no Cristo da promessa; nós cremos no Jesus da história. Jesus é o grande elo que liga os dois testamentos. Ele é o conteúdo e a essência de ambos. Só existe um evangelho desde o início até o fim da história. Este é o evangelho do reino, o evangelho da paz, o evangelho da promessa, o evangelho da nossa salvação. A salvação foi planejada na eternidade e executada no tempo. Deus nunca mudou seu método de salvar o homem. Sempre foi, em todos os tempos, em todos os lugares, e para todos os homens, o mesmo método. O homem é salvo por Cristo, por meio do evangelho, o evangelho do reino, o evangelho da paz, o evangelho da promessa!

Rev. Hernandes Dias Lopes

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O culto que agrada a Deus



O evangelista João, registra o episódio do encontro de Jesus com a mulher samaritana no poço de Jacó. Nesse encontro, a mulher samaritana perguntou a Jesus onde adorar. Jesus respondeu que não é onde, mas como e a quem adorar. A verdadeira adoração a Deus é em espírito e em verdade. É de todo o coração e também prescrita pela palavra de Deus. A verdadeira adoração é um dos temas centrais das Escrituras. A veneração de imagens de escultura é uma abominação para Deus, pois Deus é plenamente espiritual em sua essência. Quando Jesus diz que Deus é Espírito significa que Deus é invisível, intangível e divino em oposição a humano. É desconhecido para os seres humanos a menos que ele decida se revelar (Jo 1.18). Da mesma forma que Deus é luz (1Jo 1.5) e Deus é amor (1Jo 4.8), também Deus é Espírito (Jo 4.24). Esses são elementos na forma em que Deus se apresenta aos seres humanos, em sua bondosa auto-revelação em seu Filho. Deus escolheu se revelar, quando o Verbo se fez carne. Quem vê a Jesus, vê o próprio Pai. O culto prestado a outros deuses é uma ofensa a Deus, pois Deus é um só e não há outro. A adoração a Deus, entrementes, não pode ser do nosso modo nem ao nosso gosto, pois Deus mesmo estabeleceu critérios claros como exige ser adorado.

Jesus orienta a mulher samaritana que não é de volta ao Judaísmo que os samaritanos devem ser convertidos nem é para Jerusalém que devem fazer peregrinações para adorar. Em Jerusalém Jesus também não achou “adoradores verdadeiros”. Ali eles haviam transformado a casa de seu Pai numa casa de comércio. Os verdadeiros adoradores não podem ser identificados por sua ligação a um santuário particular. Os adoradores verdadeiros são aqueles que adoram o Pai em espírito e em verdade.

A adoração falsa é abominação para Deus e a adoração hipócrita enfrenta o desgosto de Deus. O profeta Isaías já havia demonstrado o desgosto divino, quando disse que o povo de Israel honrava a Deus com os lábios, mas seu coração estava distante de Deus (Is 29.13). Amós, nessa mesma linha foi contundente, quando em nome de Deus, escreveu: “Aborreço e desprezo as vossas festas e com as vossas assembleias solenes não tenho nenhum prazer. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos, porque não ouvirei as melodias das tuas liras” (Am 5.21,23).

Jesus diz para a mulher samaritana o que adoração não é. Primeiro, não é adoração centrada em lugares sagrados (Jo 4.20). Não é neste monte nem naquele. Não existe lugar mais sagrado que outro. Não é o lugar que autentica a adoração, mas a atitude do adorador. Segundo, não é adoração sem entendimento (Jo 4.22). Os samaritanos adoravam o que não conheciam. Havia uma liturgia desprovida de entendimento. Havia um ritual vazio de compreensão. Terceiro, não é adoração descentralizada da pessoa de Cristo (Jo 4.25,26). Os samaritanos adoravam, mas não conheciam o Messias. Cristo não era o centro do seu culto. Nossa adoração será vazia se Cristo não for o seu centro.

Jesus, também, diz para a mulher samaritana o que a adoração é: Primeiro, a adoração precisa ser bíblica (Jo 4.24). O nosso culto é bíblico ou é anátema. Deus não se impressiona com pompa; ele busca a verdade no íntimo. Segundo, a adoração precisa ser sincera (Jo 4.24). A adoração precisa ser em espírito, ou seja, de todo o coração. Precisa ter fervor. Não é um culto frio, árido, seco, sem vida.

Deus deve ser o nosso maior deleite e o culto a Deus deve ser a razão principal da nossa vida!

Rev. Hernandes Dias Lopes

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Por que a idolatria é tão ofensiva a Deus e tão perigosa aos homens?

“… nada sabem os que carregam o lenho das suas imagens de escultura e fazem súplicas a um deus que não pode salvar.” (Is 45.20)

O segundo mandamento da lei de Deus é peremptoriamente contra a idolatria: “Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não as adorarás, nem lhes darás culto; porque eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso…” (Ex 20.4,5). A proibição divina está relacionada à fabricação e à adoração de imagens. Deus aborrece aquele que fabrica os ídolos e considera coisa sem nenhum valor os ídolos fabricados: “Todos os artífices de imagens de escultura são nada, e as suas coisas preferidas são de nenhum préstimo” (Is 44.9a).

O próprio artífice sabe que o ídolo que ele forja não tem vida, pois nada vê nem nada entende (Is 44.9b). Na linguagem do profeta Isaías, se aquele que fabrica a imagem é um homem frágil e mortal, o que poderia se dizer de sua criação? A criatura nunca pode ser maior do que o criador. A imagem de escultura é impotente, é fabricada por um homem impotente e nada pode fazer pelas pessoas a não ser confundi-las e envergonhá-las (Is 44.10,11).

O profeta Isaías descreve a obra do ferreiro e do carpinteiro que trabalha o aço e a madeira respectivamente com o propósito de fabricar um ídolo (Is 44.12-14). Em ambas atividades, o homem é o artífice, o mentor e o criador da imagem. Em ambos os casos, a imagem fabricada parece um ser humano, mas é um pedaço de madeira ou de aço, sem vida e sem qualquer poder.

A idolatria tira o entendimento do homem, pois esse artífice, pega parte da madeira para queimar no forno, a fim de fazer sua refeição e a outra parte da madeira, ele trabalha cuidadosamente para fabricar um ídolo. Depois, este mesmo artífice se prostra diante da sua própria criatura, adora-a, faz a ela suas súplicas e diz: “tu és o meu deus” (Is 44.15-17).

O que aconteceu com essas pessoas que se prostram diante dos ídolos? Perderam o discernimento espiritual! Os olhos de seu entendimento foram grudados para que não vejam e o seu coração foi endurecido para que não perceba (Is 44.18). Essas pessoas perderam a capacidade de reflexão, pois deixaram de compreender que o material que usaram para fabricar o ídolo é tão perecível como o material que usaram para queimar no forno (Is 44.19). Se o fabricante da imagem ou seus adoradores tivessem um mínimo de entendimento jamais se prostrariam diante de uma imagem de escultura feita de madeira, de aço ou de pedra, forjados pela própria imaginação humana (Is 44.20).

A idolatria cega o entendimento das pessoas e as anestesia espiritualmente. Por isso, os idólatras se apascentam de cinza. A idolatria engana e ilude o coração das pessoas, pois passam a confiar naquilo que não pode livrá-las (Is 44.21). Mas por que a idolatria engana, se o ídolo é nada? Por que a idolatria é tão perigosa se o ídolo tem boca, mas não fala; tem olhos, mas não vê; tem mãos, mas não apalpa; tem pés, mas não anda? O apóstolo Paulo responde a essa pergunta, dizendo que inobstante o ídolo ser nada, o que está por trás dele são os demônios (1Co 10.19,20).

A idolatria é uma corrupção do ser divino, pois Deus é espírito; e também, uma corrupção do culto divino, pois o culto a Deus deve ser em espírito e em verdade (Jo 4.23,24). Aqueles que pensam estar agradando a Deus, venerando ou adorando uma imagem de escultura, pensando com isso, estar adorando ao próprio Deus estão absolutamente enganados. Aqueles que imaginam que podem se prostrar diante de imagens de santos, imaginando que estes podem ser mediadores entre eles e Deus, ofendem a seu Filho, que é o único mediador entre Deus e os homens (1Tm 2.5). Aqueles que recorrem a práticas idólatras para adorar a Deus à revelia do ensino das Escrituras precisam saber que Deus abomina a idolatria e sua palavra nos exorta a fugir dos ídolos (1Jo 5.21). O Deus único e verdadeiro estabeleceu o modo como devemos adorá-lo. Ele não busca adoração; ele procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade!

Rev. Hernandes Dias Lopes

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Razões para glorificarmos a Deus


“Porque dele, por meio dele, e para ele são todas as coisas; a ele, pois, glória pelo século dos séculos.” (Rm 11.36)


Os eruditos afirmam, e com razão, que a carta de Paulo aos Romanos é a cordilheira do Himalaia de toda a revelação bíblica. Aqui Paulo chegou à cumeeira, ao ponto culminante das Escrituras. Num texto de irretocável beleza e profundidade, o apóstolo dos gentios traça a nossa trajetória das profundezas da decadência moral às culminâncias da nossa redenção. Depois de destacar que toda a obra da redenção foi planejada soberanamente por Deus e realizada eficazmente por ele, encerra a primeira parte da epístola (capítulos 1-11) numa doxologia, onde desabotoa sua voz em torrentes de exaltação a Deus. Três verdades são destacadas.

1. Deus deve ser glorificado porque ele é o idealizador da nossa salvação (Rm 11.36a). “Por que dele…”. Nossa redenção não começa no tempo, mas na eternidade; não começa na terra, mas no céu; não começa com o homem, mas com Deus. Ele planejou a nossa salvação, e isso desde os tempos eternos. Tudo provém dele, pois ele é a fonte e a origem da nossa salvação. Tudo provém de Deus, pois nos amou com amor eterno e nos atraiu para si com cordas de amor. Ele é idealizador da nossa redenção, pois nos escolheu em Cristo, antes da fundação do mundo. O evangelho não é um caminho aberto da terra para o céu; é o caminho aberto do céu para a terra. O evangelho não é uma tentativa do homem encontrar Deus; é a decisão de Deus buscar o homem perdido. Todas as religiões do mundo são um esforço humano para agradar a Deus através de obras, ritos e sacrifícios; mas o Cristianismo é Deus tomando a iniciativa de reconciliar o homem consigo mesmo por intermédio de Cristo.

2. Deus deve ser glorificado porque ele é o executor da nossa salvação (Rm 11.36b). “… e por meio dele…”. Deus não apenas planejou nossa salvação na eternidade, mas a executou na história. Para tornar eficaz seu plano eterno, o Verbo divino, Deus de Deus, luz de luz, fez-se carne e habitou entre os homens. O unigênito do Pai, da mesma essência do Pai, esvaziou-se e assumiu a forma humana. Sendo Deus, se fez homem; sendo exaltado pelos anjos, se fez servo; sendo imaculado, se fez pecado; sendo bendito se fez maldição; sendo rico se fez pobre; sendo o autor da vida, morreu pelos nossos pecados. O homem não poderia ser o agente de sua própria salvação. Não poderia apagar as manchas de seus próprios pecados. Não poderia voltar-se para Deus por si mesmo. O homem está perdido, cego, surdo, endurecido e morto nos seus pecados. Deixado à sua própria sorte, caber-lhe-ia apenas uma condenação inexorável. Por isso, Deus sendo rico em misericórdia, amou eternamente os objetos de sua ira a ponto de dar seu Filho unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. O Filho de Deus, veio ao mundo para ser nosso fiador e substituto. Deus lançou sobre ele a iniquidade de todos nós. Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelos nossos pecados. O castigo que nos traz a paz estava sobre ele e pelas suas pisaduras fomos sarados. Ele levou sobre o seu corpo, no madeiro, os nossos pecados. Ele morreu pelos nossos pecados, pagou a nossa dívida e nos reconciliou com Deus. Jesus é o novo e vivo caminho que nos conduz ao Pai.

3. Deus deve ser glorificado porque o louvor de sua glória é o propósito da nossa salvação (Rm 11.36c). “… e para ele são todas as coisas; a ele, pois, glória pelo século dos séculos”. A salvação não é uma medalha de honra ao mérito que ostentamos no campeonato da vida. Não é um troféu que levantamos no pódio da exaltação humana. Nossa salvação foi planejada, executada e consumada por Deus para que todos os remidos sejam apresentados, nos séculos vindouros, como troféus de sua graça, a fim de que Deus receba a glória pelos séculos dos séculos. Se o fim principal do homem é glorificar a Deus, o fim principal de Deus é glorificar a si mesmo, pois não existe nenhum outro propósito mais elevado e santo do que a própria exaltação de Deus, aquele que é o início, o meio e o fim de todas as coisas. Por toda a eternidade, os remidos se desdobrarão em louvor e adoração a Deus por tão grande salvação e nem mesmo assim poderão esgotar esse tributo de gratidão!

Rev. Hernandes Dias Lopes

COMO ERAM AS MANIFESTAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO NO ANTIGO E NO NOVO TESTAMENTO?

O Evangelho de João relata uma passagem da vida de Jesus que leva algumas pessoas a entender que o Espírito Santo não agia entre o povo d...